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Mauricio de Sousa vira imortal das Letras de SP

Edison Veiga

12 de maio de 2011 | 00h05

FOTO: MAURICIO DE SOUSA PRODUÇÕES / DIVULGAÇÃO

“Agora eu posso até escorregar na casca de banana que ficarei incólume”, brinca o quadrinista Mauricio de Sousa. Na noite de hoje, em solenidade restrita a convidados, o pai da Turma da Mônica se tornará imortal. Ele vai tomar posse da cadeira 24 da Academia Paulista de Letras (APL) – e entrar para a história como o primeiro quadrinista do mundo a integrar uma academia de Letras.

Sua eleição aconteceu em 2 de dezembro. Mauricio ocupará a vaga deixada pelo poeta e jurista Geraldo de Camargo Vidigal, morto em agosto. “Só agora está caindo a ficha”, admite o quadrinista. “Eu nunca esperava uma honraria como esta, até porque pouco tempo atrás as histórias em quadrinhos estavam no index da má literatura.”

Por conta disso, aliás, a eleição de Mauricio despertou certa estranheza – até mesmo entre alguns acadêmicos. “O importante é que eu tinha um plano infalível que, ao contrário dos do Cebolinha, deu certo: meus gibis funcionaram e ainda funcionam como porta de entrada, fazendo as crianças começarem a gostar de leitura, de literatura.”

Em 2008, o Ibope realizou uma pesquisa, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, para descobrir quais eram os escritores brasileiros mais admirados de todos os tempos. Foram ouvidas 5.012 pessoas. Mauricio apareceu na décima posição, atrás de nomes como Monteiro Lobato, Vinícius de Moraes, Machado de Assis, Jorge Amado e Paulo Coelho, entre outros. Nas reuniões semanais da Academia, em sua sede no Largo do Arouche, no centro, Mauricio terá a companhia de escritores consagrados, incluindo Ignácio de Loyola Brandão, Lygia Fagundes Telles e Mário Chamie, entre outros.

Popularidade. A APL já colhe os frutos de ter uma figura tão popular entre os seus. “Ele já deu e continuará dando visibilidade à nossa instituição”, afirma o presidente da Academia, Antonio Penteado Mendonça. “Sem dúvida, trata-se de uma das maiores aquisições da APL. Mauricio é um gênio, que consegue com maestria fazer a criança se interessar pela leitura.”

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, dia 12 de maio de 2011

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