As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mapas que contam a história de São Paulo

Edison Veiga

23 de novembro de 2010 | 08h54

MEMÓRIA

Da pequena e provinciana São Paulo de 27 mil habitantes de 1887 à metrópole em formação, com cerca de 3 milhões de moradores em 1954, a historiadora Maria Lúcia Perrone Passos e a arquiteta e urbanista Teresa Emídio reuniram 59 mapas e textos para o interessante livro Desenhando São Paulo, que mostra a evolução da capital paulista do final do século 19 à metade do século 20. A historiadora dará uma palestra sobre o tema amanhã, no Museu da Casa Brasileira (informações pelo 11 3078-2906). “Tratarei da evolução urbana de São Paulo, com o objetivo de desvendar de que maneira a ‘aldeia’ do final do século 19 se tornou a trepidante metrópole do Quarto Centenário, em 1954”, diz Maria Lúcia.

FOTO: REPRODUÇÃO
Mais antigo. Mapa mostra parte de SP em 1877. É a primeira vez que o material foi sistematizado em livro

Em linhas gerais, qual será a abordagem da palestra?
Por meio de plantas, mapas e desenhos que se abrem para mostrar o vertiginoso crescimento da cidade, a palestra versará sobre a evolução urbana de São Paulo, com o objetivo de desvendar de que maneira a “aldeia” de 20 mil habitantes do final do século 19 foi se estruturando, até se tornar a trepidante metrópole do Quarto Centenário, em 1954. É dirigida a administradores públicos, engenheiros, urbanistas, arquitetos, arqueólogos, geógrafos, cartógrafos, historiadores, sociólogos e todos os demais interessados em conhecer por onde caminhou o traçado geográfico e sociopolítico de São Paulo. Versará ainda sobre aqueles talentosos cartógrafos, europeus e brasileiros, que ao longo de oito décadas desenharam a cidade. Topógrafos, pintores, engenheiros, tipógrafos, editores, que nos legaram preciosa herança gravada em cambraia de linho e nos mais nobres papéis, e guardada, nos dias de hoje, em arquivos paulistanos espalhados pelos quatro cantos da cidade.

Por que é importante conhecer os mapas antigos de São Paulo?
A cartografia histórica registra as marcas da passagem do tempo, fornece subsídios para a compreensão dos processos urbanos de ocupação e crescimento da cidade. Tem “grande valia para quem se interesse, seja pela história de São Paulo, seja pela história da representação cartográfica como discurso espacial e técnico de representação visual”, como ensina Ulpiano Bezerra de Meneses no prefácio de Desenhando São Paulo. Quando nosso espaço urbano começou a ficar mais amplo e complexo, o poder público, e o habitante de São Paulo, sentiram a necessidade deste poderoso instrumento de controle que é a cartografia: “Aliás, uma das razões do fascínio que os mapas urbanos exercem a partir do século 18 é, precisamente, essa capacidade de síntese, de cristalização instantânea da diversidade, da inteligibilidade imediata do múltiplo. Por sua vez, a viagem e o comércio e, no nosso caso, o grande afluxo de imigrantes, somam necessidades novas ao desejo de se situar num espaço sempre extensível. (…) Já em 1954, com as comemorações do Quarto Centenário da metrópole, representa e condensação e concentração em imagem de uma identidade própria e dos valores com que ela se fundamenta e que, em retorno, o ufanismo paulista passa a nutrir.”

O que os mapas antigos de São Paulo nos revelam de mais curioso?
A meu ver, tudo é fascinante e curioso nos mapas antigos de São Paulo. A começar pela variedade e qualidade dos suportes, a cambraia de linho dos mapas da Light, os nobres papéis, o sofisticado colorido do nanquim. E, ainda, as diversas formações acadêmicas, e as nacionalidades, dos indivíduos que desenharam, ou patrocinaram desenhos, da nossa cidade. Além dos brasileiros, dentre os quais o mais conhecido é o prefeito Prestes Maia, oficiais-militares portugueses, como Rufino José Felizardo da Costa, engenheiro-agrimensor prussiano como C.A. Bresser, o geólogo, geógrafo e pintor alemão Carlos Rath, o litógrafo e editor também alemão Jorge Seckler, o capitão da marinha italiana Francisco Gualco, o artista gráfico e ilustrador francês Jules Martin, o engenheiro italiano Luís Strina, técnicos canadenses, no caso da cartografia produzida pela Light, especialistas italianos em aerofotogrametria, entre tantos outros.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.