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Mais de 1,3 mil retratos de paulistanos do século 19

Animação mostra imagens feitas no ateliê de Militão Augusto de Azevedo, precursor da fotografia em São Paulo

Edison Veiga

06 Abril 2016 | 10h11

Militão Augusto de Azevedo (1837-1905) é um dos principais nomes da fotografia brasileira na segunda metade do século 19. São dele os principais registros fotográficos da cidade de São Paulo nesta época. Vice-diretora do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, a historiadora Vânia Carneiro de Carvalho analisou os cerca de 1,3 mil retratos produzidos no ateliê de Azevedo que hoje constam do acervo da instituição.

Como resultado visual do trabalho, produziu o vídeo acima – em que essas imagens aparecem justapostas, em uma interessante edição. “Essas fotografias têm diferenças para os olhos de hoje muito sutis, mas que nos informam sobre como corpos de homens e mulheres já eram tratados de modo distinto”, afirma a pesquisadora, em artigo publicado no site do Museu Paulista. “Homens não são fotografados de perfil, só as mulheres se deixavam registrar nesta pose, em que se abre mão de mostrar o rosto de frente ou mesmo na rotação 3/4, lugar da identidade individual, para privilegiar as formas do corpo – o perfil, curvas da nuca e do quadril, volume do busto, do penteado e da saia.”

“Em retratos de casais, os homens muitas vezes aparecem sentados e a mulher de pé”, prossegue a historiadora. “Poderíamos pensar que se sentar com espartilho e saias tão volumosas seria um desconforto maior do que ficar de pé. Mas não é esse o caso. As mulheres sabiam como se sentar usando todo esse aparato. Acontece que o acesso à cadeira é uma distinção que se dá mais ao homem do que à mulher. Sentar-se é um gesto de poder tradicionalmente associado ao chefe de estado, da igreja e da casa.”