Limpeza de ‘Monumento às Bandeiras’ levará uma semana
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Limpeza de ‘Monumento às Bandeiras’ levará uma semana

Edison Veiga

04 de outubro de 2013 | 13h20

FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ ESTADÃO

Será preciso pelo menos uma semana para que o Monumento às Bandeiras, pichado anteontem duas vezes em menos de 24 horas, fique completamente limpo. A estimativa é do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) – órgão da Secretaria Municipal de Cultura.

“Conseguimos remover a tinta branca com jatos de água quente. O problema é a vermelha. Para ela, temos de utilizar um solvente especial”, diz Nadia Somekh, diretora do DPH.

Há temor de dano permanente à obra, assinada pelo escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret (1894-1955), se as pichações se tornarem recorrentes. “Esse processo de limpeza, se for constante, pode acabar deteriorando o patrimônio. Não é normal precisarmos utilizar solventes duas vezes em um mesmo dia”, avalia Nadia.

Preocupação semelhante foi manifestada anteontem pelo filho do escultor, o engenheiro Victor Brecheret Filho. “Meu pai se orgulhava da solidez dessa obra, mas a cada vez que vejo coisas como essa me preocupo se estão utilizando produtos adequados na limpeza”, afirma.

Com 240 blocos de granito de 50 toneladas, a monumental obra é um dos principais cartões-postais paulistanos. Nela, estão representadas 29 figuras humanas, entre bandeirantes, índios, mamelucos e negros. As pichações no monumento – conhecido popularmente como “empurra-empurra” ou “deixa que eu empurro” – eram manifestações contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que muda regras para a demarcação de terras indígenas.

A Secretaria Municipal de Cultura diz que é impossível especificar o prejuízo aos cofres públicos com a limpeza de uma escultura – porque a empresa responsável pelo serviço tem contrato longo, que inclui a limpeza de toda a cidade, o que não permite desagregar o fato isolado de um monumento. Mas, só de material, a despesa deve chegar a R$ 12 mil. “Ou seja: o vandalismo custa para a população. Os manifestantes deveriam refletir sobre isso”, diz Nadia.

“Manifestações populares são legítimas, mas precisam ser dirigidas ao foco correto”, comenta a diretora do DPH. “Não acho que vandalizar e depredar o patrimônio público seja correto. Pelo contrário, isso nos dá uma sensação de impotência.”

Repetição. Não foi a primeira vez que o icônico monumento acabou alvo de intervenções. Em maio de 2012, um dos bandeirantes da escultura teve as unhas do pé pintadas com giz de cera azul. No mesmo ano, artistas colocaram orelhas de burro nos cavalos do monumento. Nesse caso, porém, a escultura não foi danificada: as orelhas eram feitas de plástico e ficaram ali apenas por cinco horas.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 4 de outubro de 2013

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