Lembra do Guarda Luizinho? Então curta!
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Lembra do Guarda Luizinho? Então curta!

Policial de trânsito que marcou época no centro de São Paulo divide-se entre sua página no Facebook e as homenagens que não para de receber

Edison Veiga

27 Agosto 2016 | 18h29

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

O nome dele é Luiz Gonzaga Leite mas, se você viveu na São Paulo dos anos 1970, vai conhecê-lo mesmo como Guarda Luizinho. Vai se lembrar das peripécias dele para organizar o vaivém de carros e pedestres na frente do Mappin, lá no centro. Vai talvez até dizer que foi um dos 65 mil a endossar abaixo-assinado para que ele não fosse transferido nunca de lá, se tornasse tão patrimônio daquele endereço quanto o Teatro Municipal logo na frente.

Pois o Luizinho dos simpáticos, preocupados e paternais conselhos de trânsito voltou. Não às ruas – a aposentadoria e os 76 anos já não permitem. Mas ao Facebook. Com mais de 1,1 mil seguidores até a última sexta, a página Guarda Luizinho reúne nostálgicos – e distribui fotos e vídeos antigos do personagem. “Entendo pouco de internet, mas respondo tudo o que vem”, diz ele.

Foto: Acervo Estado

Foto: Acervo Estado

Foto: Acervo Estado

Foto: Acervo Estado

Foto: Acervo Estado

Foto: Acervo Estado

Vida. Paraibano de João Pessoa, Luizinho mudou-se com a família para o interior paulista aos 10 anos – foi carpir roças de café no pequeno município de Vera Cruz, no oeste do Estado. Aos 13, fixou-se na capital. Trabalhou como tintureiro, ajudando o pai, até ingressar na antiga Guarda Civil, já na vida adulta. Em seguida, se tornaria soldado da Polícia Militar, atuando no patrulhamento de trânsito.

Foi na região da Praça Ramos de Azevedo – Teatro Municipal de um lado, Mappin do outro – que encontrou seu ecossistema. Sabia de cabeça o momento em que o sinal mudava, “43 segundos para a travessia de pedestres, 57 segundos para veículos e 9 no amarelo”. Conduzia pedestres pela faixa, se preciso fosse, puxando-os pela mão. Aos que desrespeitavam, mostrava, bem-humorado porém em tom de advertência, um chaveirinho de caveira que carregava. Parou o Fusca em cima da faixa? Guarda Luizinho abria as portas do veículo e convidava os pedestres a atravessar a rua por dentro do possante.

“Tenho alguns orgulhos da minha carreira”, diz. “O primeiro é que nunca multei ninguém. Outro: jamais uma pessoa morreu atropelada na minha frente.” Querido pelos paulistanos, foi epicentro de uma revolta popular em 1976, quando o comando da Polícia queria transferi-lo de endereço. Foram 65 mil signatários de um abaixo-assinado por sua permanência.

Foto: Acervo Estado

Foto: Acervo Estado

Candidato. Em 1981, o soldado pendurou o capacete. Cursava Direito – que acabou nunca exercendo – e abriu uma lanchonete na Liberdade, região central, hoje administrada pelo filho, Paulo Eduardo. Entre sanduíches e guaranás, resolveu testar sua popularidade nas urnas. Não deu. Candidato a vereador pelo Partido Social Cristão (PSC), angariou 2.536 votos em 2000.

Pai de dois filhos – além do empresário, economista e engenheiro Paulo Eduardo, a assistente social e advogada Alessandra – e viúvo há dois anos, “é uma dor enorme, todos os dias, que não gosto nem de falar”, resume, sobre sua companheira Marli, agora está aposentado. Entre paparicos no Facebook e sua atividade como conselheiro tutelar de Santana, na zona norte de São Paulo, encontra tempo na agenda só mesmo para ser homenageado aqui e acolá. Na quinta-feira passada, foi lembrado na Assembleia Legislativa do Estado, em razão do Dia do Soldado. Menos de um mês atrás, os aplausos foram durante sessão solene da Associação de Amigos do Mirante Jardim São Paulo, bairro onde o Guarda Luizinho mora.

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

“Multa tem de existir, senão vira vandalismo. Mas o trabalho de prevenção, orientação e educação é igual ao que fazemos com um filho: tem de ser feito o tempo todo e com cuidado.”
Guarda Luizinho

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

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