Lavouras urbanas se espalham por SP
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Lavouras urbanas se espalham por SP

Cada vez mais, empresas aproveitam espaços ociosos para montar hortas comunitárias

Edison Veiga

23 de maio de 2015 | 16h00

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão


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A 10 minutos da Avenida Paulista, em pleno bairro da Vila Mariana, existe um cafezal com 1,6 mil pés. Na última quinta, começou a colheita da safra 2015 da tradicional (e simbólica) lavoura do Instituto Biológico. Mas não se trata da única plantação de alimentos dentro da área urbana de São Paulo.

Atualmente, são muitas as empresas que apostam em hortinhas comunitárias como forma de integrar suas equipes, afinar um discurso ecologicamente correto e, em alguns casos, fazer o bem.

É o caso do Shopping Eldorado, na Marginal do Pinheiros (foto acima). Em 2012, a administração da empresa decidiu transformar a cobertura do complexo em horta. Contratou dois funcionários para cuidar exclusivamente da empreitada e envolveu todos os demais no processo de separação do lixo orgânico – quase 1 tonelada por dia, que vai para uma composteira e é transformada em adubo – e de colheita – quando eles podem levar as hortaliças e temperos para casa. “Hoje nossa plantação ocupa 3 mil metros quadrados”, afirma Marcio Glasberg, gerente de operações do shopping.

A horta da casa de eventos EcoHouse (foto abaixo), em Pinheiros, serve para abastecer os restaurantes da rede Tantra – que são do mesmo proprietário, o chef Eric Thomas. “Um dos objetivos do projeto é provar que um restaurante pode ser independente na produção de seus insumos no local, assim diminuindo o impacto ambiental”, afirma Thomas, que também ressalta o fato de poder contar com ingredientes de melhor qualidade e de forma orgânica.

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

O projeto foi desenvolvido há quatro anos. No período, foram plantadas folhas verdes para saladas, de forma hidropônica; flores comestíveis, como orquídeas e mini-rosas; ervas para temperos; e até árvores frutíferas, como limoeiros, parreiras e jabuticabeiras.

Também do ramo de alimentação – e com discurso “saudável” – a rede de restaurantes Salad implantou, há seis meses, uma horta em seu escritório administrativo, no Pacaembu (foto abaixo). Toda a produção é usada no preparado das refeições dos 22 funcionários que atuam na sede da empresa. O chef Gabriel Magnani sempre colhe na horta o que precisa para os almoços, e acaba acompanhando a manutenção das plantas também. A empresa ressalta que a ideia de criar a hortinha veio de uma tentativa de começar “um trabalho de dentro para fora, conscientizando os colaboradores sobre a importância de uma alimentação saudável e equilibrada”.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

No bairro da Água Fria, a agência de comunicação E4 também criou uma hortinha dentro do escritório – há três anos. Ali eles têm cebolinha, hortelã, manjerona, orégano, entre outras plantas – até um pé de acerola. “A produção fica para os testes que fazemos em nossa cozinha, já que somos uma agência especializada em nutrição e alimentação saudável. E, claro, para o consumo próprio do pessoal da agência”, conta o diretor, Gustavo Negrini. “As acerolas também são distribuídas para os funcionários levarem para casa. Normalmente fazemos suco com elas.”

Há ainda as escolas que utilizam hortinhas de forma pedagógica. É o caso da unidade do bairro da Saúde do Santa Amália. Ali, desde o ano passado, há uma plantação de 3 metros quadrados, onde são cultivados, alecrim, manjericão, salsinha, cebolinha, alface, entre outras plantas. “A cada dois meses, uma turma fica responsável pelo plantio, colheita e preparo de pratos com os produtos colhidos”, explica Rafaela Yumi Montesinos, nutricionista do colégio. “O projeto serve para proporcionar um contato dos alunos com o meio ambiente.”

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

Cafezal. No caso do cafezal da Vila Mariana (foto acima) – cuja produção anual de cerca de 500 quilos é toda distribuídas a entidades assistenciais cadastradas pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado – a história é antiga, remonta à primeira metade do século passado. Em 1924, uma praga devastou os cafezais do Estado, causando muita preocupação, já que se tratava do principal produto da economia paulista da época. A tragédia motivou a criação, três anos mais tarde, de um órgão para realizar pesquisas científicas relacionadas ao tema. Nascia aí o Instituto Biológico. Nos primeiros anos, a instituição funcionava em seis prédios adaptados e distantes uns dos outros. Em 1945, quando a sede atual ficou pronta, foi iniciado o cafezal – que, naquele momento, servia para pesquisas.

Atualmente, essa lavoura urbana tem função didática, pedagógica e cultural: serve para que os paulistanos possam conhecer o cultivo daquele que já foi o motor da economia do Estado. “Qualquer um pode visitar, conhecer um pouco desse tipo de lavoura que é tão importante para a história paulista”, diz o diretor técnico do instituto, Antonio Batista Filho. Desde 2006, sempre em maio, o Instituto realiza o início simbólico da colheita do café paulista. Inspirada em cidades francesas que fazem o mesmo com a uva, a ideia é ter um evento que marque a abertura da safra anual.

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