Já saímos ganhando na Copa de 2014
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Já saímos ganhando na Copa de 2014

Edison Veiga

13 de setembro de 2010 | 15h04

Por Luiz Sales*

FOTO: EDUARDO NICOLAU/AE

Se dentro de campo a performance da seleção brasileira deixou a desejar, do ponto de vista da consequência turística, o resultado geral da Copa da África do Sul foi muito bom para o Brasil, que organizará Copa de 2014. A começar pelo primeiro colocado. A Espanha passou a integrar seleto grupo de oito nações campeãs mundiais. Os espanhóis, que já gostam de futebol, estarão na próxima Copa, salvo alguma zebra, e seus torcedores tendem a vir ao Brasil em maior número. Outra vantagem: o idioma espanhol é mais familiar aos brasileiros, da mesma forma que o português também é mais acessível aos espanhóis que o inglês encontrado na África do Sul. Além disso, Brasil e Espanha têm um histórico de relacionamento mais amplo, dentro e fora de campo, além de transporte aéreo consolidado: há voos de Barcelona e Madri para São Paulo e Rio, sendo que para o aeroporto paulista, atualmente, em alguns dias da semana oferece quatro opções de horário. E o turismo de longa distância, como já demonstrado, desenvolve-se de forma mais intensa para onde há transporte aéreo.

A segunda colocada da Copa da África do Sul também merece destaque. Ao conquistar o “tri-vice” e tendo vencido o Brasil, os holandeses com certeza virão mais animados em 2014. E novamente há frequência aérea diária entre Amsterdã e São Paulo. Isso sem contar a remota porém importante presença holandesa no Nordeste brasileiro séculos atrás e, particularmente, no interior do Estado de São Paulo, a cidade de Holambra (HOLanda, AMérica, BRAsil).

Em terceiro lugar ficou a Alemanha; que ótimo. Tricampeã, com seleção que surpreendeu pelo futebol e pouca idade, é promissora para 2014. Os alemães também têm paixão pelo futebol e, além das ligações aéreas (Frankfurt e Munique para Rio e São Paulo), há também um comércio bilateral forte com o Brasil que sempre serve de incentivo. E o Uruguai, em quarto lugar? Perfeito. Reacendeu a chama da Celeste, que há tempos (desde 70!) estava devendo uma boa participação em mundiais. Para a Copa de 2010, os vizinhos classificaram-se já na bacia das almas, a repescagem; mas prometem, mesmo que dificilmente possam contar com Diogo Forlán, o melhor do mundial segundo a Fifa. Pena que a população uruguaia seja pequena.

Como o Brasil será sede, a América do Sul poderá contar com mais quatro países, além de uma quinta vaga disputada com a Concacaf (América Central, Norte e Caribe). Dado importante, uma vez que, também confirmado nas pesquisas, entre vizinhos o turismo é mais intenso. Vamos considerar que Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai tenham mais chances e, portanto, sobre uma vaga em disputa. Poderia ser a Colômbia, que desfruta de um futebol interessante, voos diários para Rio e SP (duas frequências por dia) e economia mais estável que, por exemplo, Venezuela e Bolívia. Há ainda o Peru, mas no futebol há mágoas eternas (aquela copa de 78…). E mesmo que ocorresse uma catástrofe e a Argentina não se classificasse, os seus torcedores viriam de qualquer modo, pois amam o futebol e mais ainda secar o Brasil. Além disso, entre Buenos Aires e São Paulo há praticamente uma ponte aérea. Olhando os países da Concacaf (três vagas), viriam México (facilidade de idioma, boa relação e histórico no futebol), Estados Unidos (visivelmente com muitos turistas na África do Sul; e com vários pontos de embarque para o Brasil – Miami, Orlando, Nova York, Washington, Dallas, Houston, Chicago, Atlanta, Boston, Los Angeles) e ainda mais uma vaga. Em 2010 foi Honduras. Nada contra, mas se vier o Canadá também não seria ruim (e temos voos diretos para São Paulo).

No caso da Europa, são 13 vagas no total para a Copa de 2014. Assim, além de Espanha, Holanda e Alemanha, poderiam vir Portugal, cuja empresa aérea é a que mais têm vôos para o Brasil (70 por semana!), pousando em São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Salvador, Recife, Fortaleza, Campinas, Brasília e Belo Horizonte; e ainda há frequências das empresas nacionais. Também podem vir França e Itália, campeãs mundiais mas que ficaram devendo em 2010, Inglaterra, Suíça, Bélgica e Suécia. Esses dez países são os principais emissores europeus de turistas para o Brasil e ainda sobrariam três vagas.

Já o continente africano, voltará a ter cinco seleções – em 2010 foram seis, por conta da sede já estar automaticamente classificada. Assim, e sem demérito de qualquer país, seria interessante, por exemplo, recebemos a própria África do Sul, cujos moradores (sem as vuvuzelas!) devem ter tomado gosto pelo esporte, e Angola, presente em 2006, que vive um bom período econômico, fala português e temos voos a partir de Luanda. As demais três vagas ficariam entre Nigéria, Camarões, Gana, Costa do Marfim, mais frequentes dos africanos nas últimas copas, ou o surpreendente Egito, que aparece em nono colocado no ranking de seleções da Fifa publicado em julho, mesmo não tendo disputado as últimas três copas.

Mais distantes, nos representantes asiáticos, por motivos óbvios, seria muito bom ter a China, que não foi em 2010, além de Japão e Coréia do Sul, com mais tradição e ligações com o Brasil. Donos da economia que vem sacudindo o mundo, os chineses, mesmo que os próximos anos não sejam tão prósperos, têm a maior população do mundo e, hoje, dois voos semanais entre São Paulo e Pequim. Como definir os países que fazem parte da Ásia continua sendo uma tarefa nem sempre objetiva, seria interessante também alguma nação do Oriente Médio e, por fim, mas não menos importante, da Oceania o mais interessante seria mesmo a Austrália.

Apenas 51 países participaram das últimas três copas. Deles, 26,5% (13 países) estiveram nas três. Outros 37,25% (19) estiveram em pelo menos duas das três últimas e o mesmo percentual apenas em uma das três últimas. Assim, se é que há lógica no futebol (e nos negócios da Copa), teremos no Brasil, em tese, das 32 seleções pelo menos 20 que participaram recentemente e, portanto, com a “memória afetiva” mais aguçada e com moradores dispostos a avaliar a possibilidade de viajar até o Brasil. Resta agora definir a estratégia e o esquema tático e colocar o time da promoção internacional em campo. Trabalhar como “olheiro” e acompanhar o que acontece em cada país com potencial é parte fundamental. Faltam ainda definições importantes, mas as surpresas, pelo histórico, tendem a ser poucas.

É isso.

* Luiz Sales é diretor de Turismo e Entretenimento da SPTuris.