‘Hospital do trânsito’ atende 17 por hora
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‘Hospital do trânsito’ atende 17 por hora

Edison Veiga

07 de agosto de 2013 | 14h14

FOTO: WERTHER SANTANA/ ESTADÃO

Criado há seis décadas, o primeiro hospital de São Paulo voltado para o atendimento a vítimas de acidente de trânsito está em um ritmo cada vez mais acelerado. Na estrutura de 25 mil metros quadrados do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (HC) são realizadas 9 mil consultas, 2,6 mil atendimentos no pronto-socorro e 500 cirurgias por mês. Somados, são quase 17 procedimentos por hora.

O instituto foi desmembrado do complexo do HC em 31 de julho de 1953. O tráfego da cidade já causava muitas vítimas. Naquele ano, segundo o Estado noticiou, o Pronto-Socorro da seção recebia cerca de 50 pacientes por dia e já funcionava 24 horas.

“O novo hospital é formado por um conjunto de unidades e serviços distribuídos pelos diferentes andares do prédio, entrosados entre si, de modo a formar um todo harmônico, contribuindo para maior eficiência no tratamento dos doentes”, informava o jornal. Essa foi a primeira vez que uma clínica especializada deixou o prédio principal do hospital.

Hoje trabalham ali 160 médicos. A cada três casos que chegam ao local, um é decorrente de acidente de trânsito. É o caso do motorista de ônibus Alexandre Souza Oliveira, de 33 anos. No dia 21, às 4h50, ele saía de sua casa, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, com destino à garagem da empresa onde trabalha, na Estrada do Alvarenga, na zona sul de São Paulo. Como todos os dias, ia de moto, uma Honda Fan 125 cc. “Um carro na contramão me acertou.” Oliveira quebrou o fêmur. Deu entrada no PS do instituto, está internado e deve passar por cirurgia nesta semana.

O motorista está otimista quanto à recuperação. Recebe visitas diárias da mulher e o carinho dos familiares. “O que ainda não sei é se terei coragem para voltar a andar de moto. Ainda não consegui pensar muito bem sobre isso.”

Histórias assim são diárias neste hospital. E a maior parte dos atendidos é homem. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 22% das internações de vítimas de acidentes de trânsito são de jovens de 20 a 29 anos.

Caminho. Após dar entrada no Pronto-Socorro, o paciente é submetido a exames e procedimentos de urgência. Só então, se necessário, é internado, como Oliveira.

Depois da cirurgia, vem a reabilitação. Aí entram em cena os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. “Muitos chegam aqui após acidentes de moto. E aí é complicado porque, enquanto em uma queda, por exemplo, o ferido quebra um membro, o acidentado de moto chega com duas pernas, ombro e clavícula quebrados”, explica a fisioterapeuta Cecilia Miguel Ramos, uma das 28 profissionais da equipe.

Além do atendimento constante há 60 anos, o Instituto de Ortopedia e Traumatologia também é o atual responsável por serviços que começaram bem antes de 1953, como o banco de ossos (criado em 1950 e transformado em banco de tecidos em 1993), e a oficina de próteses, em 1944.

O banco de tecidos consiste em três “geladeiras” enormes que conservam partes de ossos, e outros materiais para transplante, a -80°C. “São 12 doadores por ano, em média. Cada um ‘serve’ a cerca de dez pacientes”, conta a enfermeira Graziela Maragni, responsável pelo controle de qualidade do setor.

Quando é preciso uma prótese (cada vez mais necessárias, pois o número de amputações em decorrência de acidentes dobrou de 2011 para 2012), elas são fabricadas no hospital. “Fazemos a prótese personalizada para o paciente”, orgulha-se o chefe da divisão, Antonio Carlos Ambrosio. Trabalham no departamento 47 funcionários, todos formados ali mesmo.

Em média, são 1,3 mil atendimentos por mês. O que não significa 1,3 mil pacientes. “O sujeito vem aqui mais de uma vez. Precisa medir, experimentar”, explica Ambrosio. “Depois, vem o treinamento do uso. “Para a confecção propriamente dita, leva-se cerca de oito dias. Mas, até o paciente receber “alta” do departamento, lá se vão dois meses.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 7 de agosto de 2013

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