Hidrografia de SP dobra com a descoberta de 300 ‘rios invisíveis’
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Hidrografia de SP dobra com a descoberta de 300 ‘rios invisíveis’

Grupos se organizam para mapear córregos, riachos e nascentes espalhados pelo Município; de acordo com dados da Prefeitura, a capital tem oficialmente 287 cursos d’água, mas o número é menos da metade do que acreditam os 'desbravadores'

Edison Veiga

11 Abril 2015 | 18h38

Em parceria com DANIEL BRAMATTI

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão


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Basta contar, um a um, no Mapa Hidrográfico do Município de São Paulo – sob a chancela da Prefeitura. Estão lá os 287 rios, riachos e córregos paulistanos. Mas, munidos de paciência, boa vontade – e um tiquinho de desconfiança – diversos ambientalistas têm mapeado cursos d’água que ainda não entraram para a malha fluvial oficial. Graças a esse trabalho, estima-se que sejam pelo menos 300 os “rios invisíveis” de São Paulo: o que mais do que dobraria, portanto, a quantidade oficialmente aceita hoje.

“E ouso dizer que essa estimativa é pessimista”, acredita o geógrafo Luiz de Campos Júnior, de 53 anos, que há 20 anos estuda a hidrografia paulistana e em 2010 se tornou um dos criadores do projeto Rios e Ruas. “Tenho convicção de que podem ser muito mais, se explorarmos bem os confins do município.”

Em 80 expedições, eles descobriram um rio novo para cada já catalogado

“Essa discrepância numérica (entre dados oficiais e estimativas) existe porque nossos critérios não são técnicos, são humanos”, explica o arquiteto e urbanista José Bueno, de 54 anos, também criador do Rios e Ruas. “Para nós, cada afluente, por menor que seja, é importante. Então, não importa se é um trecho, da nascente até desembocar no ‘rio oficialmente catalogado’, de 1 km ou até menos.” De 2010 para cá, Campos, Bueno e equipe realizaram cerca de 80 expedições pela malha hidrográfica paulistana – e, em média, para cada rio já conhecido, encontraram um outro que, nos mapas, ainda não aparecia. “Sempre tem um vizinho que aparece contando que corre uma água do outro lado, e por aí vai”, exemplifica o arquiteto.

E como o objetivo do grupo, mais do que descobrir, é engajar as comunidades – para que preservem os rios –, essas expedições costumam ser abertas a interessados (confira a agenda neste site). No próximo fim de semana, está prevista uma na zona norte de São Paulo, em parceria com o Sesc Santana (mais informações e inscrições neste link).

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Sim, existe. Formado em administração de empresas e ex-corretor de seguros, Adriano Sampaio (foto acima), 43 anos, criou, em agosto do ano passado, a página Existe Água em SP, no Facebook. Virou um caçador de nascentes de rios – e frequente palestrante do tema. “Fiquei impressionado quando me mudei da Pompeia para o Jaraguá e conheci rios ainda não canalizados, com muita fauna”, conta.

Então, pesquisando o assunto, ele se deparou com mapas hidrógraficos antigos da cidade, datados do início do século 20. “Neles, é possível ver as curvas originais dos rios, ainda antes dos processos de retificação e canalização”, relata. “Com base nessas informações, passei a ir atrás das nascentes.” Até o momento, Sampaio já encontrou uma centena delas. “Faço vídeos e fotos de todas e posto no Facebook”, diz.

Criado pelo Coletivo Escafandro, o mapa colaborativo Rios (In)visíveis também procura dar visibilidade – com o perdão do trocadilho – à causa. O site foi criado no EcoHack World – hackatão ambiental realizado concomitantemente em Nova York, São Francisco e Madri – e permite que qualquer um se torne colaborador da empreitada.

> Mapa interativo dos rios de SP

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