Fundação Casa terá biblioteca modelo
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Fundação Casa terá biblioteca modelo

Edison Veiga

03 Maio 2014 | 00h08

FOTO: EVELSON DE FREITAS/ ESTADÃO

Com um método diferente, que pede a participação do público desde a concepção do espaço, o Instituto Brasil Leitor (IBL) começa neste ano a instalar suas “bibliotecas jovem” – dirigida a um público de 6 a 17 anos de idade. Ainda neste semestre, devem ser inauguradas as duas primeira unidades, no Centro Educacional Municipal Professor Orozimbo Furtado Filho, em Votuporanga, no interior do Estado, e na Fundação Casa da Vila Guilherme, na capital paulista.

“Esse formato foi desenvolvido com muita pesquisa, nos dois últimos anos”, conta a diretora do IBL, Ivani Nacked. De certa forma, é a continuidade de um projeto que vem sendo realizado há 12 anos: as bibliotecas “para a primeira infância” – que já contam com mais de 50 unidades, em escolas, creches e hospitais de todo o País.

Se para os pequenos de até cinco anos, a ideia é encarar o livro como um brinquedo, para os maiorzinhos o jeito de cativar é outro: tornar o leitor participante do processo como um todo, desde a montagem física da bibilioteca até a curadoria das atividades. “Os alunos são divididos em grupos e cada um tem uma função. Há quem vai ficar responsável por grafitar as paredes da biblioteca, quem terá de organizar os livros e quem vai montar as estantes”, exemplifica Gustavo Gouveia, coordenador dos projetos de bibliotecas do instituto. Está prevista ainda a montagem de um conselho de participantes para definir a programação ao longo do ano.

O acervo também vai ter uma pegada pop. Serão 800 livros – entre os quais, obras sobre esporte, moda, gastronomia… – ao lado de itens como jogos de tabuleiro e instrumentos musicais. Tudo para despertar a criatividade. “Queremos tirar o endeusamento do livro e entender o ambiente da biblioteca como algo mais holístico”, explica Ivani. Uma biblioteca dessas custa cerca de R$ 220 mil. A de Votuporanga foi adquirida pela Prefeitura. A da Fundação Casa será viabilizada, em parte pelo próprio IBL, em parte por patrocinadores.

A relação do IBL com a Fundação Casa, aliás, já tem mais de cinco anos. Começou graças ao funcionário Rivaldo dos Santos, hoje coordenador pedagógico da unidade da Vila Guilherme. “Na época eu estava em outra unidade e montei uma oficina de leitura. Aí procurei o pessoal do instituto para pedir a doação de alguns livros”, recorda-se ele. Com o projeto em andamento na instituição – estão em fase de cotação dos materiais –, Rivaldo vê um sonho sendo concretizado: a pequena oficina que ele idealizou agora será uma moderna biblioteca, à disposição para os 105 menores internos da sua unidade, além dos familiares, que também poderão usá-la. “Estamos empolgados. Se der certo, o modelo deve ser replicado em outras unidades da Fundação Casa”, comenta o diretor da unidade da Vila Guilherme, Alaor Francisco Fonseca Junior.

O ânimo também é grande nas salas e corredores da sede do IBL, na Barra Funda. Ali, em um amplo hall, há dois show rooms montados: o modelo ideal da biblioteca para a primeira infância ao lado da nova biblioteca jovem. Ivani, Gustavo e companhia não veem a hora de transformar o modelo em realidade.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 21 de abril de 2014

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