Funcionários do Metrô viram salva-vidas
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Funcionários do Metrô viram salva-vidas

Eles são treinados pelo Incor para socorrer passageiros em vagões ou estações; semana passada, um deles foi conhecer seus ‘anjos da guarda’

Edison Veiga

08 Fevereiro 2015 | 07h43

Em parceria com FABIANA CAMBRICOLI

Foto: José Patrício/ Estadão

Foto: José Patrício/ Estadão


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Quatro dias depois de completar 60 anos, Severino José de Sousa Neto quase morreu do coração. O segurança aposentado voltava de uma festa de fim de ano promovida pelo sindicato ao qual é filiado, na região da Sé. Eram 21h30 e ele começou a passar mal dentro de um trem do Metrô. Caiu inconsciente e só foi acordar uma semana depois, em um leito de hospital.

Severino foi salvo por três seguranças do Metrô. Tadeu Silva, de 34 anos, Arnaldo Marques Rodrigues, de 41, e Thiago Rocha Lucio, de 29, integram o time de 3,5 mil funcionários da companhia que são treinados pelo Centro de Emergências do Instituto do Coração (Incor) e, portanto, estão capacitados a prestar o primeiro atendimento a passageiros que sentirem-se mal em trens ou estações. Para tanto, têm uma ferramenta importante – em cada uma das estações paulistanas há um desfibrilador, aparelho que emite choques elétricos que ajudam no trabalho de reavivamento das vítimas.

No Metrô, índice de salvamentos bem-sucedidos é de 52%

Severino não se lembra de nada – “nem do que aconteceu dias antes nem do que aconteceu dias depois”, revela –, mas as câmeras de segurança registraram tudo. Naquela noite, ele foi puxado do vagão por um dos seguranças e acabou socorrido pelos três, em revezamento. Tomou quatro choques do desfibrilador. Só depois, já com o coração batendo, foi levado para a Santa Casa pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Essa agilidade é que faz com que tenhamos um bom índice de sucesso”, explica o médico Mauricio Monteiro Alves, do Departamento de Engenharia de Segurança e Saúde Ocupacional da companhia.

Foto: José Patrício/ Estadão

Foto: José Patrício/ Estadão

Salvamentos. Os números confirmam: dos 94 atendimentos do tipo realizados desde 2006, quando os desfibriladores foram espalhados pelas estações, em 49 foi possível recuperar os batimentos cardíacos da vítima – 52% dos casos, portanto.

Um número muito maior se comparado com a média registrada em ambientes públicos, por exemplo. “Se uma pessoa passa mal na rua, mesmo recebendo atendimento médico rápido, a chance de sobrevivência é de 14% a 25%. No Metrô, esse índice é bem maior, porque há desfibriladores em todas as estações, além de equipes treinadas. Por isso, a importância de haver um equipamento do tipo em todos os locais com grande aglomeração de pessoas, como estádios, cinemas”, explica o médico cardiologista Ari Timerman, diretor clínico do Instituto Dante Pazzanese.

Se o atendimento não for feito em 10 minutos, a chance de recuperação é quase zero

Em casos do coração, rapidez no atendimento é determinante para aumentar as chances de sobrevivência. “A cada minuto sem socorro, diminui em 10% a chance de sobrevida. Se o atendimento não for iniciado em dez minutos, portanto, a chance de recuperação é quase zero”, afirma Timerman.

Desde que se recuperou plenamente, no fim do ano passado, Severino queria conhecer os seguranças que o salvaram. O encontro finalmente aconteceu na tarde da última quarta – e lágrimas escorreram em todos os rostos presentes. Acompanhado pelo seu filho, o enfermeiro Danilo Moura de Sousa, de 29 anos, o sobrevivente – sem nenhuma sequela – levou chocolates ao trio de seguranças. “Toda vez que vejo um segurança do Metrô, agora enxergo ali um herói, alguém que pode salvar vidas”, comenta ele. “Há 20 anos, meu pai teve um ataque cardíaco e não sobreviveu. Quando socorro alguém como o Severino, penso nele. Atendo como se fosse meu pai”, diz o segurança Arnaldo.

Orgulhoso da sua equipe, o médico Mauricio também esteve presente. “O sucesso é graças a três fatores: comprometimento da equipe, treinamento e agilidade”, resume.

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