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Festival vai deixar SP mais ‘british’ por 17 dias

Edison Veiga

26 de maio de 2011 | 00h01

Evento vai espalhar pela cidade atrações da Grã-Bretanha. Quase todas elas são ‘free’

FOTO: EPITÁCIO PESSOA/ AE

A partir de amanhã, São Paulo vai falar mais inglês. Serão 17 dias de eventos tendo como tema a Grã-Bretanha, em diversos pontos da cidade – o Parque da Independência, a Estação Paraíso do Metrô, casas noturnas, centros culturais e escolas de idioma. O 15.º Cultura Inglesa Festival terá mais de 60 atrações. E o melhor: com exceção de duas baladas, tudo será “free” (grátis).

“Sem dúvida, é a maior edição que já fizemos”, comemora o ator Laerte Mello, coordenador da programação. “No ano passado foram 15 atrações.” Entre os destaques, estão artistas britânicos como o baixista Glen Matlock, da formação original da banda Sex Pistols, que vai atacar de DJ, e o grupo Gang of Four. “Imperdível também é a exposição de ficção científica que ficará na Estação Paraíso do Metrô”, diz Mello. “Nem nós, da organização, imaginávamos que houvesse tanta influência inglesa na ficção científica, seja do cinema, da música ou da literatura.”

A exposição multimídia no metrô vai abranger áreas da cultura pop. A mostra inclui videoclipes, livros, quadrinhos e painéis com a cronologia do gênero. No mesmo local, haverá ainda um bate-papo, neste sábado, às 12h30. O escritor, jornalista e editor de ficção científica Roberto Causo conversa com Rogério de Campos, curador dessa área no festival. E mais: um espaço de cinema no Centro Brasileiro Britânico vai exibir filmes como O Homem que caiu na Terra e 1984, entre outros.

No sábado, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura da Avenida Paulista, o escritor, dramaturgo e atual roteirista da série de TV Dr. Who – recordista em longevidade da ficção científica no Reino Unido – Robert Shearman, conversa sobre o gênero.

No domingo, o Parque da Independência terá um dia inteirinho de shows regados a rock britânico, de diversas safras. Blood Red Shoes, Miles Kane e Gang of Four mostram seu estilo. As bandas nacionais Cachorro Grande e The Mockers tocam, respectivamente, os repertórios de The Who e Beatles.

Tradição. Além das atrações, o festival também é uma oportunidade de lembrar a influência britânica em São Paulo. E basta sair por aí para encontrar exemplos. Um deles é a Estação da Luz (foto acima), em que até os tijolos usados na construção do prédio, projetado pelo arquiteto inglês Charles Henry Driver, foram trazidos de navio dos países britânicos.

Na zona norte, entre Santana e Tucuruvi, há o bairro Parada Inglesa. O nome surgiu por causa de um fazendeiro inglês, William Harding, que se instalou na região no século 19. Em suas terras havia uma parada do trem que ia da Cantareira ao Guapira. Bem perto de onde hoje é a Estação Parada Inglesa do Metrô.

Jardim América, Butantã, Alto da Lapa, Alto de Pinheiros e Pacaembu são bairros que foram construídos no início do século 20 pela Companhia City, empresa fundada por ingleses.

E o Masp? O mais importante museu de arte da cidade recebeu a rainha Elizabeth II na inauguração de seu prédio na Avenida Paulista. No acervo, há diversas peças assinadas por britânicos, como Joshua Reynolds, William Hogarth e Thomas Lawrence.

Outra tradição das ilhas britânicas incorporada ao modo de viver paulistano são os pubs, embora na cidade eles sejam mais voltados à tradição da Irlanda que da Inglaterra. Em Pinheiros, há o tradicional Finnegan’s. Nos Jardins estão o All Black e o O’Malley’s.

Na Bela Vista, há o Morro dos Ingleses, local da primeira sede do São Paulo Country Club fundado em 1901 por imigrantes ingleses e escoceses. E na Consolação, desde 1888 funciona o São Paulo Athletic Club (SPAC), que tinha Charles Miller como sócio e promoveu na Várzea do Carmo o primeiro jogo oficial de futebol do Brasil.

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, dia 26 de maio de 2011

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