Feira livre dentro de condomínio vira moda
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Feira livre dentro de condomínio vira moda

Com hortifrútis, pastéis e até estandes de pet shop, serviços avançam em prédios de SP

Edison Veiga

14 Maio 2016 | 16h00

Foto: Tiago Queiroz

Foto: Tiago Queiroz

Quarta à noite é dia de feira para os moradores do condomínio Central Park Prime, na Vila Carrão, zona leste de São Paulo. O pastel é jantar, os hortifrútis fresquinhos garantem a geladeira da semana e também dá para comprar carnes e massas. Tudo sem cruzar a portaria.

Condomínios da região metropolitana de São Paulo têm trazido a feira para dentro de seus limites. “Para mim, o melhor é a comodidade. Encontro tudo o que preciso”, afirma a pedagoga Andrea Teixeira, de 40 anos, entre uma mordiscada e outra no pastel fumegante. Com a sacola cheia de verduras, a dona de casa Maria Aparecida Silva, de 48 anos, também gosta da praticidade. “É só descer o elevador e já estou aqui”, diz.

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Os comerciantes também só veem vantagens. “De segunda a sábado, faço feira dentro de condomínio. No domingo trabalho em feira livre no Ipiranga”, diz Klaus Kimura, de 34 anos, proprietário da pastelaria. “A segurança é a principal diferença. Na rua, é um assalto a cada seis meses; o último foi em 17 de janeiro. Chega o sujeito de moto, com faca e não tem o que fazer: a gente entrega todo o caixa.” Enquanto confere o troco, o responsável pela barraca das frutas e legumes concorda. “À noite, nas ruas? Nem pensar”, afirma.

Não faz oito anos que o comerciante Rafael Pinto da Silva, de 31 anos, meio sem querer, teve a ideia de levar seu negócio para dentro dos muros. Ele vendia massas frescas e queijos em um carro, rodando pelas ruas de Osasco e Alphaville, na Grande São Paulo. “Aí resolvi montar uma banquinha dentro do meu prédio. Deu certo e comecei a ser procurado por síndicos”, diz. Já são 40 prédios atendidos por ele, semanalmente, em São Paulo, Osasco, Jundiaí e Sorocaba – dois acordos foram feitos há quatro dias.

Silva encarrega-se de levar os parceiros. “Para ficar interessante, além da minha banca, é preciso ter uma de hortifrútis, outra de carnes. E o pastel, é claro”, explica. Alguns condomínios cobram uma taxa – em geral, de R$ 100 por mês – para cobrir custos de energia elétrica e limpeza.

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

Foto: Tiago Queiroz/ Estadão

A população interna tem de ser grande. O Central Park Prime, por exemplo, tem 534 unidades, onde vivem 1.680 moradores. “A feirinha é um sucesso”, comemora o síndico, Marcelo Pan y Agua, de 41 anos. “Uma vez por mês, trazemos food trucks. E, eventualmente, quando algum morador do prédio que tem comércio quer fazer alguma liquidação, também abrimos essa possibilidade.”

No Residencial Morada do Bosque, em Taboão da Serra, os cerca de 2,5 mil moradores contam com três feiras fixas. Às terças, é dia de comprar carne. Às quartas, o condomínio ganha um “petmóvel” – um veículo equipado para a tosa e o banho da bicharada. “E no sábado é o dia da feira, onde já temos 17 expositores. E isso porque começamos há um mês”, conta o síndico, Marcelo Alves, de 46 anos. Ali, uma peculiaridade: todos os feirantes são moradores.
A feira própria também é novidade no Edifício Paço Cidade de São Paulo, no Sumaré. Há menos de um mês, uma feirinha de produtos orgânicos é montada no condomínio, sempre às terças. Detalhe: na frente do prédio, às quartas, tem feira livre convencional.

Cuidados. Para a especialista em condomínios Angelica Arbex, gerente da Lello Condomínios, o síndico precisa tomar alguns cuidados. “É fundamental que discuta com os condôminos quais serviços podem ser instalados, qual é a viabilidade e estrutura. E que cuide para que a realização das atividades não comprometa a segurança e o bom funcionamento do condomínio”, adverte. A Lello estima que as feirinhas já estejam presentes em cerca de 200 condomínios da Grande São Paulo.