Elefante Branco Turismo: um papo com um dos criadores
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Elefante Branco Turismo: um papo com um dos criadores

Agência fictícia oferece 'tours' por obras irregulares de todo o País

Edison Veiga

17 Março 2016 | 01h23

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

Elefante Branco Turismo, uma agência de viagens especializada em obras irregulares.

Calma, não se trata de algo real – mas, infelizmente, as irregularidades são bem reais. Com página no Facebook, site próprio e um mapa interativo que reúne os principais “elefantes brancos” do Brasil – aquelas obras que custam fortunas e não servem para nada -, a Elefante Branco Turismo é uma agência de viagens fictícia, criada por três publicitários e um economista – Fábio Oliveira, João Pedro Queiroz, João Viégas e Paulo Nascimento.

“O objetivo do projeto é dar ao público uma ferramenta para fiscalizar tanto os políticos como as construtoras”, diz o texto de apresentação do grupo. “Além de levantar a discussão sobre a quantidade de elefantes brancos e o mau emprego do dinheiro público, o projeto aborda a dificuldade de pessoas comuns em acessar informações em sites do governo. A navegação ruim, o português jurídico e os textos prolixos dificultam a transparência e a fiscalização. O serviço oferecido pela ‘agência de turismo’ se faz mais do que necessário: descobrir lugares que ninguém quer você conheça.”

O blog entrevistou João Alexandre Viégas Filho, 24 anos, publicitário e diretor de arte do projeto.

Como nasceu o Elefante Branco?
O Elefante Branco nasceu a partir do insight de que apesar de muitas vezes os elefantes brancos (obras que representam mau uso de recursos públicos) serem notíciados, não existe nenhuma ação perene que os deixe à mostra. Pensando nisso criamos um mapa interativo onde você pode conhecer esses destinos e um pouco de sua história.

A ideia é mapear todas as obras irregulares do País? Então é um projeto ainda em andamento?
Não, se fóssemos mapear todas as obras irregulares do país precisaríamos de uma equipe gigantesca e de dedicação integral. Nós só mapeamos elefantes brancos. Mesmo assim é um projeto em andamento constante. Afinal, nem sempre descobrimos todas as informações das obras e saem novas informações todo dia.

Quantas obras já estão mapeadas?
Já contamos com 23 obras em nosso mapa.

Como vocês pesquisam os dados de cada elefante branco?
A gente vai atrás geralmente de relatórios do TCU, Ministério Público e do Jusbrasil. Acreditamos que essas são fontes mais confiáveis. Esse processo vale também quando indicam para a gente alguma obra por via de notícia, ou apenas quando dizem o nome.

Há obras de todas as instâncias (municipal, estadual e federal)?
Sim. Não procuramos as obras por instância. O critério utilizado é a utilidade e irregularidade da obra.

Quem são os criadores do projeto?
Fábio Oliveira Filho, 23, redator; João Alexandre Viégas Filho, 24, diretor de arte; João Pedro Gomes Queiroz, 23, redator; Paulo Fernando de Oliveira Nascimento, 24, planejamento.

Qual o objetivo final do projeto?
O objetivo final do projeto é mais do que levantar uma discussão. Queremos parar de prestar esse serviço. Queremos que o governo adote esse método de transparência e fiscalização para que o cidadão comum – que tem dificuldade em pesquisar em sites como o do TCU, por exemplo – consiga ter um banco de dados fácil de consultar sobre como o dinheiro dele é empregado e quem o utiliza.

Quando o site entrou no ar?
O site entrou no ar no começo de fevereiro, mas somente no dia 11 começamos a publicar conteúdo na página e convidar as pessoas a se engajarem conosco, nesse momento, nos indicando outros elefantes brancos.

Quem banca o projeto?
Somos nós quatro que bancamos o projeto. Até então não tivemos muitos custos, mas a ideia é que a gente desenvolva um site com mais recursos.

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