Das caçambas para a galeria
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Das caçambas para a galeria

Edison Veiga

02 de agosto de 2010 | 07h28

QUANDO O LIXO VIRA ARTE

DIVULGAÇÃO

Durante um ano, o artista plástico Flavio Rossi foi, digamos, meio lixeiro. “Passava com meu carro, geralmente de madrugada, e ficava de olho nas caçambas de lixo. Se via algo que me chamava a atenção pela forma, cor ou estrutura, pegava”, conta ele, que calcula ter fuçado em pelo menos 50 caçambas de bairros como Itaim, Vila Madalena, Vila Mariana, Moema e Jardins. Tudo em nome da arte.

Desconstruídos, esses objetos coletados viraram 18 obras – entre pinturas e esculturas –, em exposição a partir de amanhã na galeria do Espaço Cultural Chakras (tel.: 11-3062-8813).

A coleta artística do lixo nem sempre foi tranquila. “Acontecia de segurança de prédio reclamar”, lembra. “Parecia até que eu estava cometendo um crime.” Secador de cabelo e penico estão entre os objetos mais diferentes que ele recolheu. Aos poucos, Rossi viu que a experiência possibilitava quase uma análise sociológica do lixo paulistano. “Comecei a sacar a diferença do lixo de cada bairro. Se eu precisava de uma madeira mais legal, procurava nos Jardins. Na Vila Madalena era mais comum encontrar coisas inusitadas”, exemplifica.

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, coluna ‘Paulistices’, dia 2 de agosto de 2010

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