Academias oferecem crossfit para crianças
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Academias oferecem crossfit para crianças

Versão branda e lúdica do treino para adultos conquista adeptos dos 3 aos 17 anos; para médico, ainda é preciso cautela com a garotada

Edison Veiga

14 Maio 2016 | 16h15

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Inspirado em treinamentos militares, o crossfit se tornou moda em academias paulistanas, com seus circuitos puxados e repletos de argolas, cordas, bolas pesadas, professores “carrascos” – e a expectativa de queimar até 800 calorias em meia hora. De dois anos para cá, uma versão soft e lúdica da modalidade avançou, e os adeptos são crianças e jovens de 3 a 17 anos.

O crossfit kids, nome oficial da categoria, parece uma grande gincana. “Ao contrário da versão para adultos, com a criança não focamos na carga de peso. Os exercícios enfatizam o controle motor e a postura”, afirma o professor de educação física e proprietário da Crossfit Sampa, Tiago Heck, o primeiro profissional do País a ter a certificação kids – desde 2013. “A criança é o melhor público, porque é um aluno que não tem vícios nem traumas psicológicos”, acredita.

A aula é dividida em quatro partes. Primeiramente, o aquecimento, com um exercício mais leve – como rolar uma imensa bola de um lado para o outro. Em seguida, vem a técnica, em que o aluno aprende a subir na corda ou colocar os pés em uma argola. Aí, chega a vez da atividade do dia: um percurso com corrida, flexões, agachamentos e outros desafios que devem ser repetidos por um tempo predeterminado. “Tudo isso leva cerca de 30, 40 minutos. Depois fazemos o lado mais lúdico”, conta a professora de Educação Física Cíntia Nascimento Souza, da Crossfit Sampa. “Uma brincadeira, um jogo, em que o aluno precisa exercitar o equilíbrio ou a coordenação”, explica.

A criançada parece aprovar. Entre suor e superação, sobram sorrisos. “O que eu mais gosto? De tudo”, afirma Octávio Cezar Meneghini do Nascimento, de 10 anos (foto abaixo).

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

Família ‘crossfit’. Entusiasta do esporte há dois anos, a arquiteta Carla Hamoui, de 39, convenceu a família toda a praticar também – o marido, o administrador de empresas Michel Hamoui, de 50 anos, e os três filhos: Vicky, de 14; Albert, de 12; e Joseph, de 7 anos (na foto abaixo, está ela, Vicky e Joseph, entre dois professores). “Eles adoram. Nunca tive dúvidas de que seria bom para eles”, conta Carla. “Meu dia a dia melhorou bastante, com mais disposição, depois que passei a praticar”, afirma Vicky.

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

Foto: Rafael Arbex/ Estadão

A publicitária Fernanda Clemente Carrano, de 35 anos, decidiu matricular o filho, Thiago, hoje com 4, logo que soube da novidade, há mais de um ano (foto abaixo). “Ele sempre foi superagitado, então achei que em vez de ficar jogando almofada em casa, escalando o sofá e as cadeiras da sala de jantar, era melhor fazer isso em uma academia”, conta. “Não é pesado: é divertido e ele adora.”

Fernanda conta que ficou sabendo do crossfit infantil porque o filho já frequentava a academia, a Bodytech, quando a modalidade abriu ali. “Ele faz natação desde os 6 meses”, afirma ela. Aí não teve dúvidas, a matrícula foi logo na primeira turma.

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Cuidados. Entre os médicos, há desconfiança. “Não gosto dessas modas que vez por outra surgem”, afirma o ortopedista Agnaldo de Oliveira Júnior, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos. “Tudo tem o seu momento. O importante é não sobrecarregar a criança, sem exagerar em nada. Espero que eles tomem esse cuidado.” Ele diz que, em casos de crianças muito novas, uma sobrecarga pode provocar lesões nas articulações e mesmo fazer com que o aluno desista da prática.

Oliveira defende que as crianças pratiquem uma diversidade maior de esportes, da ginástica ao futebol, em vez de se dedicar apenas a uma atividade física específica. “Eu defendo a escola do esporte, em que tudo é feito devagarzinho”, afirma o médico.

“Evidências científicas indicam que o exercício é benéfico para a função cognitiva, o que significa que a adesão ao programa pode ter um impacto positivo no desempenho escolar das crianças”, diz o diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto. “A atividade tem foco em equilíbrio, agilidade, velocidade, potência, força, resistência muscular e cardiorrespiratória.”

“O trabalho com crianças não visa à performance. Tudo é feito de uma maneira bem lúdica. Nosso foco está na coordenação motora e na agilidade”, afirma a professora de Educação Física Daniele Amaral de Paiva, da Crossfit Moema.

O programa crossfit foi criado na Califórnia, Estados Unidos, no ano 2000. É uma marca: as academias que usam o termo precisam pagar royalties à empresa americana. Os professores são credenciados pela mesma instituição.

BODYTECH. SHOPPING ELDORADO, 2º SUBSOLO. TEL. 2197-7333. R$ 445 (MÊS).
CROSSFIT MOEMA. ALAMEDA DOS MARACATINS, 404, MOEMA. TEL. 97521-6809. R$ 300 (MÊS).
CROSSFIT SAMPA. RUA TRAIPÚ, 205, PACAEMBU. TEL. 99910-1091. A PARTIR DE R$ 250 (MÊS).

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