Contribuição para ONGs caiu 30%
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Contribuição para ONGs caiu 30%

Instituições assistenciais sofrem com mau momento econômico

Edison Veiga

19 de dezembro de 2015 | 16h01

Levantamento internacional feito pelo World Giving Index mostra que o Brasil caiu 15 posições no índice mundial de solidariedade neste ano de 2015 – de 90º para 105º lugar no ranking. O cenário de crise econômica é sentido pelas ONGs, que relatam uma queda neste ano, em média, de cerca de 30% nas doações e patrocínios, comparando com o ano passado – conforme o Estado apurou.

“Com a onda de desemprego, todo mundo segurou um pouco”, comenta Micheli Umebayashi, coordenadora de captação de recursos da Fundação Dorina Nowill para Cegos. “Este ano foi muito difícil, mesmo no caso de patrocínios de empresa via leis de incentivo – pois o dinheiro só é repassado para a gente quando elas têm lucro, e alguns segmentos não obtiveram.”

Foto: Divulgação

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Voluntária da Associação das Mulheres Protetoras dos Animais Rejeitados e Abandonados (Ampara Animal) e gerente de relações institucionais do Instituto Verdescola, Juliana Fabri também vê uma queda nas doações e patrocínios neste ano de 2015. No caso da Ampara Animal, em que não há projetos aprovados via leis de incentivo, a crise é sentida pela perda de apoiadores mensais. “Recentemente, perdemos três grandes financiadores, que se justificaram dizendo que o cenário econômico vivido por suas empresas não permite continuar com esse comprometimento”, conta.

No Verdescola – onde houve uma queda de 11% na arrecadação deste ano, frente a 2014 –, a correria será grande até o último dia do ano. “Será um período crucial, na expectativa para que as empresas que nos patrocinam fechem o ano fiscal em condições de repassarem investimentos para a gente”, afirma. “Mas já estamos percebendo a dificuldade, pois muitas têm nos ligado com notícias nada animadoras.”

“Um parceiro do Instituto tinha previsto um determinado aporte para um dos nossos projetos, no entanto, após fechamento orçamentário, houve uma redução de 42% do valor indicado inicialmente”, comenta Juliana.

Foto: Divulgação

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Em nota, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo, também comentou o cenário. “Os desafios e incertezas enfrentados por diversos setores em 2015 impactaram algumas ações da Apae de São Paulo, entre elas a redução do número de associados, a queda nas arrecadações devido às mudanças nas regras da Nota Fiscal Paulista, além da variação cambial, que afetou o preço dos insumos importados utilizados na realização do Teste do Pezinho”, informou. “A Organização, contudo, buscou alternativas que garantissem a continuidade dos atendimentos diretos às pessoas com Deficiência Intelectual, todavia, alguns programas de apoio ou complementares serão redimensionados para o ano de 2016.”

A União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social (Unibes) preferiu encarar a crise como oportunidade para diversificar suas receitas. “Foi um ano atípico porque comemoramos nosso centenário, então muitos doadores, patronos e patrocinadores estavam envolvidos emocionalmente com a instituição”, avalia a vice-presidente de sustentabilidade da entidade, Denise Antão. “Mas como sabíamos que haveria dificuldade, aproveitamos para investir em divulgação e facilitar as retiradas de doações. Tem funcionado.”

Ela diz que o balanço de 2015 ainda não foi fechado, mas a percepção é que, embora toda a equipe tenha precisado trabalhar mais duro, o resultado será semelhante ao do ano anterior. “Sabemos que 2016 será uma incógnita. Mas vamos manter o otimismo, com nossos parceiros fiéis”, garante Denise.

Motivações. De acordo com pesquisa realizada no Brasil pela Shopper Experience, 43% dos que realizam doações acreditam que essa atitude os ajuda a se tornar uma pessoa melhor; na sequência entre as motivações, com 22%, aparece a gratidão: a sensação de que uma doação é a forma de devolver à sociedade os sucessos e vitórias alcançados.

O levantamento mostra também quais são as causas que mais mobilizam: 67% são motivados pelo combate à violência; 64% causas envolvendo idosos carentes abandonados; e 49% crianças carentes. Entre as outras causas: crianças com deficiência (18%); crianças com câncer (14%); combate à fome (34%); crianças precisando estudar/educação infantil (25%); e carentes portadores do vírus HIV (43%).

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