Brasil fará Madre Teresa virar santa
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Brasil fará Madre Teresa virar santa

Vaticano reconhece milagre ocorrido em Santos

Edison Veiga

19 Dezembro 2015 | 01h19

Foto: Thomas Cheng/ EFE

Foto: Thomas Cheng/ EFE

Quando o telefone do padre Caetano Rizzi tocou e, do outro lado da linha, um sacerdote italiano disse que era da parte do papa Francisco, ele tomou um susto. “O que foi que aprontei”, logo pensou o padre, que atua na Paróquia de Jesus Crucificado, no bairro do Jabaquara, em Santos.

Sua missão, a partir dali, era ser o promotor de justiça no processo que deve tornar santa a beata Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), conforme decreto assinado na quinta pelo papa Francisco. A canonização está prevista para 4 de setembro de 2016. O anúncio deixou em festa ontem a Ordem das Missionárias da Caridade, em Calcutá. “Estamos muito felizes e agradecidas”, disse a porta-­voz da congregação na Índia, irmã Christie. Durante meio século, Madre Teresa desenvolveu um trabalho social em Calcutá. Em 1979, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Rizzi foi incumbido de investigar, ao lado de uma comissão de religiosos e médicos do Vaticano, o caso de um brasileiro que teria sido salvo por um milagre atribuído a Madre Teresa. O homem, cuja identidade é mantida em sigilo pela Igreja, morava na cidade do litoral paulista quando, em 2008, logo após ter se casado, viajou com a mulher para Gramado, no Rio Grande do Sul. “Lá, ele passou mal subitamente e acabaram voltando para Santos. Ele foi internado às pressas e exames constataram hidrocefalia e oito abscessos no cérebro”, conta o padre. O caso era grave e o paciente foi encaminhado para uma cirurgia.

Sua mulher, católica praticante, correu para chamar um padre, solicitando que ele ministrasse ao marido o sacramento da unção dos enfermos. “Ele estava para morrer”, comenta Rizzi. “O padre foi lá, abençoou o homem e deu à mulher uma medalhinha de Madre Teresa.” A fundadora da Congregação das Missionárias da Caridade já havia sido beatificada – por João Paulo II, em 2003.

Sem falar nada para ninguém, a mulher deixou a medalhinha sob o travesseiro do marido. Ele foi sedado para ser preparado para a cirurgia. “Já estava inconsciente quando o início do procedimento acabou sendo atrasado, porque o médico precisava providenciar um dreno”, relata Rizzi. Ao voltar para o quarto, o paciente estava sentado, acordado e perguntando o que fazia ali. Novos exames foram feitos e nenhum problema persistia no cérebro – nem sequer cicatriz de abscesso foi encontrada.

“Fato é que ele retomou a vida normalmente e se mudou para o Rio, onde vive até hoje”, conta Rizzi. Lá, em uma consulta de rotina, contou a um médico – católico praticante – sobre o milagre. Este teve contato com o papa Francisco, quando ele esteve no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, em 2013. “E o papa lhe disse: ‘vamos investigar’”, narra Rizzi. O processo foi finalizado neste ano. Era o milagre que faltava para que Madre Teresa, enfim, se tornasse santa.