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Boris Fausto, por Fernando Henrique Cardoso

Edison Veiga

13 Dezembro 2010 | 06h17

Por Fernando Henrique Cardoso*

Conheço Boris desde os anos 50, quando nos aventurávamos pelo campo da poesia, na revista dos Novíssimos, idealizada por Augusto e Haroldo de Campos. Boris não era mau poeta, mas acho que todos saímos ganhando com sua opção preferencial pela História. Boris destacou-se já em seu primeiro livro, publicado no final dos anos 60, hoje um clássico, em que põe em xeque as interpretações então vigentes sobre a Revolução de 1930. Enveredou depois pela história social, da qual foi um dos precursores no Brasil, com Trabalho Urbano e Conflito Social, de meados dos anos 70. Pouco antes, ele se aproximara do Cebrap, embora não fosse membro da instituição. Engajou-se no grupo de pesquisa sobre movimento operário e sindicalismo, com Weffort e outros. O livro que ele lança agora faz parte de uma vertente de sua obra que se abre nos anos 80, a micro-história, que focaliza temas do cotidiano. Neste Memórias de um Historiador de Domingo, como em Negócios e Ócios, dos anos 90, Boris faz história e autobiografia familiar, com muita qualidade e ironia, inclusive consigo mesmo. Aliás, o humor de Boris é um dos fios de nossa amizade, pontuada por conversas e jogos de pôquer, até hoje.

* O sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso escreveu sobre o historiador Boris Fausto a convite deste blogueiro