Bar Brahma compra e vai reabrir Bar Leo
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Bar Brahma compra e vai reabrir Bar Leo

Edison Veiga

05 de junho de 2012 | 00h01

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Famoso reduto de cervejeiros do centro foi fechado há 2 meses após ser flagrado vendendo chope barato como se fosse ‘top’ de mercado

Em parceria com DIEGO ZANCHETTA

Em um daqueles casos em que a realidade é mais incrível do que a ficção, tradicional bar paulistano é lacrado por vender gato por lebre – ou chope inferior no lugar da marca top de mercado. A tal marca, em vez de virar as costas para sempre para o bar, surge para salvá-lo do fechamento.

O caso é o do Bar Leo (foto acima), famoso reduto de cervejeiros no centro de São Paulo. Há dois meses, foi fechado pela polícia por vender chope Ashby como se fosse Brahma. Agora, o Bar Brahma, outro símbolo da boemia da cidade, comprou a casa e pretende reabri-la em breve: com credibilidade restaurada, mesmo nome e, quem sabe, ainda a tempo de comemorar seu 70.º aniversário, em agosto.

A informação circulava pelos botecos descolados desde o último fim de semana. Ontem à tarde, em conversa com o Estado, o proprietário do Bar Brahma (foto acima), Alvaro Aoas, limitou-se a dizer “que as negociações estão bem avançadas”, sem revelar os valores da transação nem o formato da nova gestão. No fim do dia, a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), detentora da marca Brahma, confirmou que o negócio já estava fechado.

“O que posso dizer é que vamos manter e valorizar ainda mais o nome e a história do Bar Leo, que é um patrimônio paulistano”, garantiu Aoas. “Vamos realçar os valores do Leo, retomar o bar com força, para viabilizar uma recuperação.”

Chope “falso”. A notícia comoveu os cervejeiros. Na manhã de 30 de março, após denúncia anônima de um advogado que era cliente assíduo do bar, duas viaturas e cinco policiais foram ao Bar Leo. Encontraram 18 barris do chope da marca Ashby, um dos mais baratos do mercado – o litro custa R$ 5,30 –, vendidos na casa como se fossem Brahma (o litro, no atacado, sai por R$ 9,40).

Toda a comunicação visual do bar fazia referência aos produtos Brahma. O gerente acabou detido, pelos crimes de “induzir o consumidor a erro e ofertar produtos de validade vencida, sem informar a origem do produto”. O estabelecimento, desde então, permanece lacrado pela Coordenadoria de Vigilância de Saúde (Covisa). De acordo com as notas fiscais apreendidas pela polícia, o chope Ashby já era vendido no bar havia pelo menos 1 ano.

Como se trata de um dos estabelecimentos mais antigos e tradicionais de São Paulo, a história virou assunto entre os frequentadores de botecos paulistanos. Clientes diziam que São Paulo havia perdido um “patrimônio” e que o bar precisava “recuperar a dignidade, dar a volta por cima e reabrir”.

Com o investimento do Bar Brahma, que se reergueu em 2001 e hoje tem bom público no centro, incluindo turistas, a história do Bar Leo pode ganhar novos capítulos.

Proibido beijar
O Bar Leo mantinha uma curiosa regra: em suas dependências, qualquer beijo era proibido. E mais: mulheres desacompanhadas só passaram a ser aceitas no local a partir da década de 1970.

PONTOS-CHAVE

‘Salvador’ do Leo também já
teve suas crises

Fundação
O Bar Brahma, na esquina das Avenidas Ipiranga e São João, foi fundado em 1948, pelo alemão Henrique Hillebrecht. Entre 1950 e 1960, o bar viveu o auge.
Queda
Com a decadência do centro, o Brahma fechou em 1990. Entre 1997 e 1998, sob outro nome, tentou voltar sem, entretanto, atingir o mesmo sucesso.
Retorno
A reinauguração data de 2001. O local voltou a atrair a boemia – além de ser palco de shows tradicionais, como Cauby Peixoto e Demônios da Garoa.

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, dia 5 de junho de 2012

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