Bandeirantes, 35 anos
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Bandeirantes, 35 anos

Edison Veiga

28 de outubro de 2013 | 15h30

FOTO: EPITACIO PESSOA/ ESTADÃO

Considerada por muitos a melhor estrada do País, a Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) completa 35 anos em meio a obras orçadas em R$ 92,4 milhões. Em abril do que ano vem, depois de 11 meses de trabalhos, uma quinta faixa deve estar em operação entre os quilômetros 14 e 47, numa tentativa de desafogar, ao menos um pouco, o trânsito sempre suscetível a engarrafamentos nas proximidades da capital paulista.

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“Esta obra já constava do planejamento feito há cerca de 15 anos e está sendo executada no prazo pela concessionária (CCR AutoBAn)”, explica Teodoro Pupo, diretor de investimentos da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). “Esperamos que o usuário perceba uma melhora na fluidez, especialmente nos gargalos, assim que a faixa for entregue”.

A Bandeirantes tem um nome a zelar. Quando foi inaugurada, já era tida como a mais moderna do País, com um conceito de “autoestrada” e poucas (e abertas) curvas, propiciando viagens longas praticamente sem redução da velocidade – na época da inauguração, a máxima era de 80 km/h, contra os atuais 120 km/h. De lá para cá, elogios e prêmios se acumulam. A rodovia levou o título de melhor rodovia do Brasil por oito anos consecutivos (de 2006 a 2013) do Guia Quatro Rodas e foi a mais bem avaliada outras três vezes (2012, 2006, 2004) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

De acordo com a CCR AutoBAn, a rodovia tem o mérito de ter levado o desenvolvimento às regiões por ela servidas. “Foi uma das molas propulsoras para o desenvolvimento econômico das regiões de Campinas e Jundiaí, que se transformaram, no decorrer das últimas décadas, em importantes polos de tecnologia, pesquisa e educação no Estado”, afirma a concessionária, que administra a estrada há 15 anos.

Sua construção levou 26 meses. Antes, entretanto, foram 10 anos de estudos e projetos para a “auto-estrada para o norte de São Paulo” – como era chamada antes de ser batizada oficialmente em homenagem aos sertanistas pioneiros, do período colonial, que acabaram se tornando símbolos paulistas. A agilidade da obra, entretanto, foi duramente criticada à época porque empresas teriam sido contratadas sem licitação.

Dos estudos anteriores, uma ideia acabou nunca saindo do papel – apesar de ser implicitamente visível, como uma cicatriz, em forma de um canteiro central maior do que o normal entre as faixas de ida e as de volta: a intenção era que o espaço interno comportasse uma ferrovia, alternativa ao transporte viário.

Sustentável. Em 2012, durante obras de recuperação do pavimento da rodovia, entre São Paulo e Campinas, a concessionária utilizou 500 mil pneus, no chamado “asfalto ecológico”. De acordo com especialistas, esse tipo de piso reduz o nível de ruído e aumenta a aderência dos veículos à rodovia – ou seja, além de dar uma destinação aos pneus usados, ainda contribui para diminuir o desgaste dos pneus dos carros.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 28 de outubro de 2013