Baladas dos anos 90 ganham revival
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Baladas dos anos 90 ganham revival

Projeto traz referências a Hell's e Manga Rosa, que marcaram época na noite paulistana

Edison Veiga

08 Junho 2016 | 00h01

Foto: Sergio Castro/ Estadão

Foto: Sergio Castro/ Estadão

O cenário e o clima de duas casas noturnas que marcaram época na noite paulistana serão reconstituídos nesta semana. Em eventos promovidos por uma marca de vodca, na quinta (9) haverá um revival da Hell’s. No sábado (11) será a vez da Manga Rosa.

Ambas as festas vão correr em uma edificação em formato de contêiner na Rua Cardeal Arcoverde, 2926, em Pinheiros. Os convites aos participantes foram distribuídos por meio das páginas oficiais criadas no Facebook (links aqui e aqui).

O Hell’s, conforme o histórico divulgado pela organização do evento, é “reconhecido como o primeiro ‘afterhours’ de São Paulo. Nasceu no início dos anos 90, exatamente no momento que a música eletrônica começava a surgir na cidade. Com festas que começavam por volta das 5 horas da manhã, o local, criado pelos DJs Pil Marques e Mau Mau, começou as atividades no subsolo do extinto Columbia, casa noturna dos Jardins, arrastando o público para a pista até o meio-dia. Em sua segunda fase, já no clube Vegas a partir de 2005, o local reuniu os mais diversos públicos em total harmonia até 2012, quando fechou as portas.” Já o Manga Rosa, foi “inaugurado em março de 1999 no meio da Vila Olímpia. Foi lá que milhares de pessoas tiveram a oportunidade de ver, conhecer e curtir um universo eletrônico diferente: pulsante, quente, absolutamente energético e familiar. O clube foi palco e vitrine para novos DJs da época como Claudinho I., Dimitri e a DJ Roxy, que ferviam as pistas com muito techno, trance e house progressivo e ajudaram a construir a cena eletrônica atual.”

O DJ Pil Marques, criador do Hell’s Club, tem uma tatuagem com o símbolo da balada. Ele deu um depoimento ao blog:

“Toda tatuagem marca um momento especial. Foi uma fase tão bacana e importante na nossa vida que resolvemos eternizar. O símbolo foi criado pelo Fabio Spavieri. Não tinha um significado especial, mas virou uma marca, um código para uma outra dimensão. Essa foi uma fase muito especial onde vivi e descobri muitas coisas que tenho trazido pra vida!

Cada um teve o seu momento de tatuar e começou com a família: eu, Mau Mau, Adriana Recchi, Vivi Flaksbaum, as gêmeas Carol e Isadora Krieger, Marina Dias, Glaucia ++, Rodrigo Reis, Paulo Silveira, Edgar Oliveira… que eu me lembre são umas 20 pessoas, mas já vi algumas outras por aí… Hoje em dia cada um tem sua vida, alguns moram fora do Brasil, mas quando nos vemos está tudo como era antigamente: o carinho, respeito, uma amizade.

Naquela época vivíamos em função do Hell’s, adaptando horários e experimentando uma vida mais notívaga. Lá era como um caldeirão de ideias, onde não existiam rótulos e preconceitos, todos estavam dispostos a experimentar coisas novas, sensações ainda não vividas. Foram muitos momentos especiais vividos lá, mas a apresentação do Dj Frances Laurent Garnier foi a mais inesquecível!”

Outro que tem história ligada ao local é Luiz Normanda. Também tatuado, ele trabalhou na chapelaria da casa noturna:

“O Hell’s foi o primeiro after do Brasil, o início da música eletrônica aqui também, tudo isso uniu as pessoas. O Hell’s virou uma marca de roupas, que vendíamos no Mercado Mundo Mix. Eu saía da chapelaria do Hell’s Club e ia direto vender produtos com a marca lá. Tinha até falsificação das camisetas no centro de São Paulo! Como trabalhava lá como chapeleiro e era da mesma turma, eu quis fazer a tatuagem e aí o Pil resolveu me dar de presente.

Na época, era uma coisa de família ter a tattoo, como um brasão. Não aconteceu de ir todo mundo fazer no mesmo dia, então cada um tatuou em uma ocasião diferente. Várias pessoas fizeram depois, até quando nem existia mais o Hell’s. Mas hoje significa a união de uma turma, com algumas exceções, que dura até hoje. Mais de vinte anos depois nos reunimos, vamos uns nas casas dos outros. Não perdemos o contato!”

A DJ Glaucia ++, assídua do local, também tatuou o Hell’s:

“A tatuagem significa vários pezinhos dançando, eu acho (risos). Para mim, lembra uma época da minha vida bem intensa e maravilhosa! Todos que tem a tattoo são amigos. Eu tatuei no mesmo dia que o Edgar Oliveira e o Raul do Mundorama. Com a maioria tenho uma relação de amizade e nos falamos toda semana.

Foi uma união pela música, pelas novidades sonoras, pelas novas amizades. Diria que o descobrimento de várias coisas, entre elas musicais, de moda e comportamento. No Hell’s Club foram ditadas muitas tendências. Era uma juventude que frequentava o local com uma sede por novidades.

Lembro que acordávamos às 4h da manhã, tomávamos banho, nos montávamos e íamos dançar até o meio dia, o que não era uma coisa comum, né?! Esperávamos o que o Mau Mau iria trazer de novidade sonora e os DJs convidados também! O dia que tocou o Stuart ficamos até a última música dançando e batendo o pé no chão de madeira.”

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