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As maiores mentiras de SP

CRÔNICA

Edison Veiga

24 Outubro 2017 | 00h20

Foto: Nilton Fukuda/ Estadão

Quando a reportagem da rádio CBN mostrou que, ao contrário do que havia afirmado a prefeitura, a farinata apresentada por João Doria não tem qualquer aprovação nem venceu nenhum prêmio da ONU, a conversa naquela mesa de bar era sobre qual seria a maior mentira da história de São Paulo. Noite de sábado, o Zorra Total ainda nem tinha ido ao ar – com piada justamente sobre a famigerada ração humana…

– A maior mentira de São Paulo é o trator enterrado no Canindé! – propalou Paulo Anísio, após um gole de chope.

A história é pura maldade de torcedor – dos times rivais, obviamente. Reza a lenda que, em 1972, quando os dirigentes da Portuguesa de Desportos terminaram de reconstruir o estádio – originalmente datado de 1956 – e erguer as arquibancadas de concreto, esqueceram um trator no meio do gramado. Como então havia ficado impossível removê-lo pelas saídas destinadas ao público, a solução foi enterrá-lo ali mesmo…

– Bobagem – emendou Ana Maria. – Eu sei de uma mentira maior e mais grave: essa lorota de que cães apreendidos pela carrocinha viram sabão!

A moça citava uma história que torturou muito seus pensamentos de criança, tempos em que, é verdade, os animais recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses eram sacrificados, com injeção letal, e depois incinerados – agora, isto não ocorre mais. Acredita-se que tal lenda tenha surgido porque a gordura animal – principalmente a de boi – é mesmo utilizada como matéria-prima na fabricação de sabão em pedra. Mas, segundo biólogos, cães e gatos nunca foram usados para esse fim.

– E isso de jacaré no Rio Tietê? Tem mesmo ou é a grande mentira paulistana? – Marco perguntou.

Tiro n’água. Vamos lá: no trecho que passa pela cidade, o rio é tão poluído que tem nível de oxigênio perto de zero e índice de visibilidade nulo. Insalubre para vida animal, portanto. Garças, frangos d’água, quatis e capivaras, mesmo assim, costumam aparecer de vez em quando. Jacarés, não. Mas houve uma exceção: nos anos 1980, pelo menos três bichos da espécie foram apreendidos nas margens do rio pelos bombeiros. Entretanto, eles não eram nativos dali: acredita-se que tenham sido abandonados por algum criador.

Com a sabedoria de um paulistano conhecedor da cidade, José Maria só aguardava sua vez. Ele tinha uma carta na manga, um super-trunfo. Iria pedir truco. José Maria sabia a resposta verdadeira para a maior mentira da história de São Paulo.

– E aí? O Edifício Itália é o prédio mais alto da cidade?

Na mesa, todos se entreolharam. Ué, não é? Não era para ser? Se não for o Edifício Itália, qual então seria?

Tcham-tcham-tcham-tcham: o mais alto é o Edifício Mirante do Vale, também conhecido como Palácio W Zarzur, na Avenida Prestes Maia. Tem 170 metros de altura, 50 andares, contra 160 metros e 42 andares do Itália – que leva a fama porque foi erguido em terreno mais alto.

O W Zarzur foi projetado e construído em quatro anos pela empresa Waldomiro Zarzur Engenharia e Construções – ficou pronto em 1964. Doze elevadores servem ao prédio de 75 mil metros quadrados, onde trabalham 10 mil pessoas. Ali funcionam 146 lojas, 812 salas e 60 salões comerciais.

E para você, qual a maior mentira de São Paulo?

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