Aplicativos ‘furam’ filas de restaurantes de SP
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Aplicativos ‘furam’ filas de restaurantes de SP

Quem topa pagar uma taxa de conveniência pode entrar na espera antes mesmo de sair de casa - e acompanhar tudo pelo celular

Edison Veiga

07 Maio 2016 | 16h00

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Dia das Mães e você já está imaginando o tamanho da fila de espera do restaurante? Pois em mais de 80 estabelecimentos paulistanos já é possível – mediante o pagamento de uma taxa de conveniência – entrar na lista antes mesmo de sair de casa. E acompanhar a fila virtualmente, pelo celular.

Tudo graças a aplicativos, esses gurus onipresentes na vida moderna. Utilizado por restaurantes como o Paris 6, o Johnny Rockets e o Famiglia Mancini – tão famoso pelas filas de domingo –, o Get In App foi desenvolvido para ser de mão dupla: ajuda o gerente do restaurante a controlar a fila de espera; e oferece a comodidade ao cliente que não quer perder tempo.

“Estamos em uma curva de aprendizado”, aposta André Tamiazzo, um dos sócios da empresa que desenvolveu o Get In. “Assim como já aconteceu no cinema, com a compra online de ingressos, as pessoas estão começando a achar que vale a pena, mediante uma pequena taxa, entrar na fila remotamente.” No caso da Get In, a “pequena taxa” é de R$ 4,90 por reserva, independentemente do restaurante ou do número de pessoas na mesa.

O escritor Frederico Nercesian, de 27 anos, já viu vantagem. Semanas atrás, ele havia ido ao Paris 6 com a namorada. “Ficamos 1h30 na fila, e a atendente me falou sobre o aplicativo”, conta. “Na semana passada, fiz a reserva antes. Acredito que nos restaurantes mais movimentos, vale a pena pagar para não ficar esperando.”

Foto: Márcio Fernandes; Estadão

Foto: Márcio Fernandes; Estadão

Outro aplicativo que tem disputado esse mercado é o Styme. “Para nós, é imprescindível um modelo que não seja tão manual e interaja com os clientes. Cadastrando-se pessoalmente, na fila física, ou virtualmente, ainda antes de chegar, ele entra na mesma lista, consegue acompanhar pelo celular e é avisado por mensagem quando chega a sua vez”, resume Tiago Jesus Ribeiro, gerente do restaurante Tan Tan Noodle Bar.

Assim como o Get In, o Styme também é criação de uma empresa paulistana. Além do Tan Tan, está presente em estabelecimentos como o Ritz, o Le Jazz Brasserie, o Z Deli Sandwich Shop e o Piselli. “O que oferecemos é uma comodidade, assim como o valet do restaurante”, compara Vinicius Rittes, um dos sócios do Styme – cujas taxas de reserva remota custam R$ 5 por ocupante da mesa. “Sempre vai haver quem prefere deixar o carro na rua. Assim, sabemos que sempre vai haver quem prefere não pagar a mais e entrar na fila apenas presencialmente.”

Há usuários que se dizem conquistados pela experiência. “Quando vou ao um restaurante, quero uma noita agradável sem estresse. Pagar um pouco a mais para mitigar o risco de ter que esperar por horas em filas vale a pena”, acredita o consultor Paulo Alvarez Guimarães, de 24 anos. “Onde se come bem normalmente tem fila. O aplicativo permite verificar em tempo real se o restaurante que você gosta está com espera, o tamanho da espera e, se você quiser, dá para colocar seu nome na lista sem estar lá fisicamente”, comenta o administrador de empresas Alex Lewkowicz, de 27 anos. “Já usei essa conveniência e, nesse tempo, fui buscar minha avó. Quando chegamos ao restaurante, nos sentamos de imediato. E ela, que não entende de tecnologia, ficou maravilhada.”

“Com o aplicativo, eu resolvo tanto o problema da espera quanto da transparência do andamento da fila, pois acompanho quantas pessoas estão na minha frente”, ressalta a trainee do mercado financeiro Marcela Cruz Sanchez, de 23 anos. “Hoje em dia, já ponho meu nome de casa. Salva muito tempo.”

Quem prefere não pagar uma taxa a mais entra na mesma fila, evidentemente. Só que é adicionado a ela pelo funcionário na recepção. Mas o fato de o restaurante usar aplicativos do tipo já dá uma certa comodidade: acompanhar o andamento da fila pelo celular e, se ainda faltarem muitos, ainda aproveitar para fazer outra coisa nas redondezas do restaurante.