O compartilhado como complemento do privativo
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Arquiteto explica desafio de projeto áreas comuns de prédio com miniapartamentos

Edison Veiga

22 Novembro 2015 | 07h06

Imagem: Divulgação

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Por Gustavo Garrido*

Quando fomos chamados a participar do empreendimento, nos foi colocado o desafio de desenhar as áreas livres comuns com desenho arrojado e contemporâneo, mas de forma econômica e atendendo às necessidades de futuros moradores de unidades habitacionais de área privativa reduzida.

Nas capitais mais cosmopolitas do mundo, tais como Nova York, Paris e Tóquio, a demanda por habitação a custo acessível versus o elevado valor por metro quadrado tem levado ao desenvolvimento de unidades pequenas pelos incorporadores. O grande diferencial que empreendedores como a Vitacon colocam no mercado é utilizar mais intensivamente as áreas comuns do condomínio para, de certa forma, complementar o espaço privativo de um modo compartilhado. Se nas áreas comuns cobertas aparecem espaços de usos definidos como “coworking”, “home theater” e lavanderia coletiva, nas áreas comuns descobertas trabalhamos predominantemente com ambientes multiuso. Isso acontece principalmente pelo reduzido tamanho dos terrenos disponíveis para incorporação, que resultam em áreas livres igualmente reduzidas, que nos impede de termos aqueles incontáveis itens de lazer que predominavam no mercado imobiliário até uns cinco anos atrás. Não acreditamos que isso seja de modo algum um fato negativo, até porque essa competição por quem oferecia mais itens de lazer trouxe consigo uma banalização do desenho do espaço livre, resultando em coisas esdrúxulas como “xadrez gigante”, “parede de escalada”, “arvorismo”, dentre tantos outros, que no fim das contas acabavam subutilizados e demandando manutenção constante e, por conseguinte, gerando elevadas taxas de condomínio. Acreditamos, assim, que esses espaços sejam mais efetivamente utilizados se pensados de forma mais genérica, reforçando a ideia de convivência compartilhada tão necessária para uma vida em condomínio.

E se pensarmos também na segurança e qualidade do espaço urbano no entorno desses empreendimentos, iremos para soluções de desenho de espaços livres que valorizem a calçada como espaço de convívio. Nesse sentido a recente modificação do Plano Diretor de São Paulo oferece muitas ferramentas, em especial a bonificação de área extra não computável para efeito do coeficiente de aproveitamento para uso comercial no térreo, conferindo mais vida às calçadas.

Em resumo, a escassez de grandes áreas para incorporação, aliada ao alto preço por metro quadrado da construção e às bonificações proporcionadas pela legislação vigente, se bem trabalhados nos empreendimentos, podem moldar um novo estilo de vida pautado no exercício do convívio em comunidade, tão necessário num mundo de crescente intolerância em que vivemos.

* Gustavo Garrido é arquiteto diretor do HUS Arquitetos, escritório que desenvolveu o projeto paisagístico do prédio que terá o menor apartamento de São Paulo.