“A sociedade entende que a cidade precisa ser mais verticalizada”, diz Otávio Zarvos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

“A sociedade entende que a cidade precisa ser mais verticalizada”, diz Otávio Zarvos

Edison Veiga

16 de junho de 2014 | 13h52

FOTO: SERGIO CASTRO/ ESTADÃ?O

“Se o novo plano diretor vai ser um avanço, não é porque o prefeito é um gênio ou porque os construtores querem erguer mais prédios. É porque a sociedade já entende que uma metrópole precisa ser mais verticalizada para funcionar melhor.” A frase é do administrador de empresas Otávio Zarvos, 47 anos, proprietário da construtora Idea!Zarvos, grande responsável pela transformação por que passa o bairro da Vila Madalena – nos últimos 10 anos, ele construiu (ou começou a construir) 19 prédios comerciais e residenciais por ali.

Zarvos não só gosta, como acredita no que faz. Seus prédios são autorais – assinados por arquitetos de primeiro time, como Isay Weinfeld e escritórios Triptyque, Nitsche e FGMF. Têm um conceito e identidade, não poderiam estar em outro bairro. “Eu gosto de arquitetura. E não acho que seria possível fazer esses prédios em outra região. Eles têm a ver com a Vila Madalena”, afirma.

Quando lembram que ele é um dos “culpados” pela valorização imobiliária do bairro nos últimos anos, Zarvos não refuta. Mas se justifica. “Há dez anos, a Vila só tinha vida noturna. Durante o dia, era completamente parada. Comecei a construir prédios de escritórios, propiciando que o sujeito que já gostava do bairro também trabalhasse aqui – muitas vezes, pertinho de casa”, defende. “Isso é o máximo que eu posso fazer como urbanista sem ser prefeito da cidade.”

Ele não quer ser prefeito. Mas acredita que a cidade será (ou seria) melhor se as pessoas morassem mais perto uma das outras. “O custo da infraestrutura seria menor. O metrô serviria melhor às pessoas. O trânsito seria menor, já que os deslocamentos seriam menores”, enumera. “Não faz sentido sua empregada morar a 30 km de sua casa.” Por isso, a verticalização. “Não sou bonzinho. Sei que com isso eu ganharia mais. Mas a cidade também ganharia”, diz.

Dos arquitetos, ele conquistou respeito. “Acho que o Otávio percebeu que as pessoas hoje querem morar de um jeito diferente – mais relaxadas, com menos pompa. Comunicou-se fácil com a sua geração. Entendeu ainda que empreender projetos de qualidade e lucro não são excludentes. E que um projeto bom não se restringe aos limites do terreno… Vai além – considera a rua, o entorno, o bairro”, comenta Isay Weinfeld.

“Não é à toa que ele conseguiu criar uma nova maneira de fazer empreendimentos: ele tem uma postura diferente. Apostou num caminho de valorizar o projeto e conseguiu criar uma marca que usa o design como instrumento de venda e imagem. Hoje, outras incorporadoras tentam replicar seu sucesso, mas nem todas entendem que, para fazer bem feito, é preciso fazer com o estômago, não com a planilha”, define Lourenço Gimenes, do escritório FGMF.

Claro que as críticas também vêm. “Como minha história é ligada ao bairro da Vila Madalena, sou cobrado pelos vizinhos. A comunidade sabe onde moro, sabe onde trabalho”, explica Zarvos. “Mas mesmo os que são contra mais prédios costumam dizer que entre um prédio feio e um prédio nosso, é melhor um nosso.”

Versão ampliada de reportagem publicada originalmente na edição impressa do Estadão, dia 15 de junho de 2014

Tem Twitter? Siga o blog

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.