A ambulância obrigatória
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A ambulância obrigatória

Edison Veiga

24 de agosto de 2010 | 09h08

SEM SIRENE
FOTO: DIVULGAÇÃO

Referência no tratamento de doenças infecto-contagiosas, o Instituto Emilio Ribas chamava-se, até 1932, Hospital de Isolamento. O primeiro pavilhão começou a funcionar na Avenida Doutor Arnaldo (então Avenida Municipal) em 8 de janeiro de 1880. Ideias científicas comuns ao fim do século 19 defendiam a construção desses centros médicos para evitar a disseminação de doenças contagiosas.

Pelo próprio nome, porém, já é possível imaginar o receio das pessoas com relação aos riscos de contágio. De acordo com o Código Sanitário de 1894, apenas as ambulâncias podiam transportar os doentes até o hospital (na foto, observa-se um carro de 1918). Em caso de doença infecto-contagiosa, a internação no Hospital de Isolamento era obrigatória.

Mas as famílias desses doentes tentavam dar seus jeitinhos. Por vergonha, não queriam que a ambulância fosse até suas casas – imagine só a fofoca que iria rolar na vizinhança! Então era comum que, desafiando a lei, preferissem ir ao hospital de bonde.

Esta é uma das histórias contidas no recém-lançado livro Do Lazareto dos Variolosos ao Instituto de Infectologia Emilio Ribas, da Editora Narrativa Um, que celebra os 130 anos da instituição.

Publicado originalmente na edição impressa do Estadão, coluna ‘Paulistices’, dia 23 de agosto de 2010

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