A alma do paulista
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A alma do paulista

Edison Veiga

07 Setembro 2014 | 00h16

Por Ricardo Della Rosa*

Foto: Hélvio Romero/ Estadão

“EU SOU A ESPADA QUE A MADRE TERRA,
QUANDO AO SEU SEIO SE ACONCHEGARAM OS FILHOS MORTOS,
MATERNALMENTE DESEMBAINHOU.”

No trecho acima, extraído do poema A Espada de Pedra, Guilherme de Almeida resumiu brilhantemente o significado do Obelisco do Ibirapuera para São Paulo.

Eu passo quase diariamente pelo Obelisco desde que me entendo por gente, e não tem uma única vez que eu não fixo o olhar nele e sinto uma pontada de orgulho ao vê?lo ali. Imponente. Desafiador. Dominando a paisagem.

Em suas faces está contada a história de um povo que não se ajoelhou.

Desde 1936 uma comissão buscava arrecadar fundos para a construção do monumento-mausoléu em homenagem aos Heróis de 32, e foi novamente graças a generosidade do povo paulista que se conseguiu com uma campanha de arrecadação de fundos, iniciar as obras para erguer o monumento – que ficou pronto apenas 21 anos após seu projeto inicial, em 1957.

Na minha opinião aquele é o local que fala mais alto na alma do paulista: ali estão os restos mortais de pessoas que acreditaram em uma causa. Na avenida em frente a entrada do mausoléu desfilavam anualmente colunas de veteranos. Alguns deles faziam tanta questão de participar que desfilavam em cadeiras de rodas até que o tempo finalmente os levasse.

Não é difícil encontrar pequenos grupos de famílias emocionadas pelas lembranças de seus entes queridos nas cerimônias do 9 de Julho. Alguns trazem debaixo do braço o capacete de aço usado pelo seu Herói. Fazem questão absoluta de comparecer todo ano.

Foi com grande alívio que acompanhei o início das obras de restauração do monumento, e confesso que estou ansioso em ver o resultado final.

São Paulo não pode perder seu principal ponto de referência. Geográfico e espiritual.

* Neto de veteranos de 1932 por parte de pai e de mãe, o publicitário Ricardo Della Rosa mantém o blog Tudo Por São Paulo 1932.

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