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Mostra explora transformações dos rios de SP

Edison Veiga

07 de outubro de 2013 | 12h05

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É possível dizer que, desde o fim do século 19, a relação do paulista com os rios que banham o Estado não é nada harmoniosa. A urbanização intensa, a industrialização e o crescimento econômico de São Paulo subjugaram os cursos d’água – muitas vezes, com crueldade: retificando-os, canalizando-os, poluindo-os, extinguindo-os.

A partir de hoje, essa história pode ser conferida por meio de 25 antigos mapas que registraram as transformações dos rios paulistas. Trata-se da mostra O Tempo e As Águas: Formas de Representar os Rios de São Paulo, em cartaz por cinco meses no Arquivo Público de São Paulo. A produção de mapas sempre foi uma atividade dominada pelo poder público, e o Arquivo guarda 19,5 mil documentos cartográficos. Com esta documentação, é possível mostrar a complexa relação entre a hidrografia, as necessidades do povoamento da época colonial e a urbanização acelerada que ocorreu no século 20.

“São mapas que documentam como a história das grandes alterações feitas pelo homem na geografia do Estado implicaram transformações dos próprios rios”, exemplifica o advogado Izaias José Santana, coordenador do Arquivo Público do Estado de São Paulo. No acervo, há registros das mudanças do leito de rios como o Tietê e o Tamanduateí, além de casos do interior, como o Rio Iguape, no Vale do Ribeira, que foi, como comenta Santana, “descaracterizado pela ocupação às suas margens”.

Envolvida na produção da mostra, a geógrafa Janaina Yamamoto, diretora do Núcleo de Acervo Cartográfico do Arquivo Público, conta que o maior desafio foi que o material selecionado abarcasse de modo significativo a produção cartográfica paulista. “Também buscamos mostrar como, com o tempo, as referências naturais deixaram de fazer parte do nosso cotidiano, com os córregos urbanos ‘sumindo’”, diz.

É o caso do Tamanduateí, cujo nome, em tupi, significa “rio de muitas voltas”. Na São Paulo antiga, era chamado de “Rio das Sete Voltas”, por causa de sua sinuosidade. Com o progresso, foi retificado “para não atrapalhar a cidade” e ganhou uma calha que praticamente o esconde, em meio à Avenida do Estado. “Muitos nem sabem que ele existe”, diz Janaina.

Serviço:
O TEMPO E AS ÁGUAS: FORMAS DE REPRESENTAR OS RIOS DE SÃO PAULO – EXPOSIÇÃO DE CARTOGRAFIA.
ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO, NA RUA VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA, 596, EM SANTANA, ZONA NORTE.
ABERTURA EM 7 DE OUTUBRO, ÀS 17h30. A PARTIR DO DIA 8, DE SEGUNDA A SÁBADO, DAS 9H ÀS 17H. VISITAS DE ESCOLAS PODEM SER AGENDADAS PELO E-MAIL ACAOEDUCATIVA@ARQUIVOESTADO.SP.GOV.BR, OU PELO TELEFONE 2089-8149.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 4 de outubro de 2013