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430 retratos e uma câmera furtada

Edison Veiga

10 de junho de 2013 | 12h18

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Em cartaz desde terça, o projeto Retratos Falantes fotografou 430 anônimos paulistanos. E registrou um inconveniente na sexta, por volta das 12h20: a câmera utilizada pelo fotógrafo, uma Nikkon D300 – que custa, em média, R$ 6 mil, sem contar o valor da lente –, foi furtada. “Espero que o sujeito esteja tirando boas fotos da cidade”, brincou o fotógrafo do projeto, Paulo Fridman.

“É um absurdo. A gente monta um projeto e é esse o tipo de interatividade que a cidade nos oferece”, disse o produtor executivo da iniciativa, Paulo Levy. Ele afirmou que o furto ocorreu diante de uma viatura da Polícia Militar e de homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que nada fizeram. “Não fui registrar boletim de ocorrência porque não adianta nada e não deu tempo. Precisei correr para comprar outra câmera e seguir com o projeto”, contou.

O projeto Retratos Falantes ficou na Praça da Sé até ontem. A ideia é fotografar pessoas comuns e colar a esses retratos textos escritos pelos próprios fotografados com suas esperanças e sonhos. O estúdio móvel – uma van equipada com computadores – está hoje no Parque Trianon, onde fica até sábado. Em seguida, vai para a praça da República – dos dias 17 a 22. Das 9h às 17h, o espaço está aberto a quem quiser ser fotografado. “Com a tecnologia disponível hoje em dia, podemos fazer a fusão fotográfica entre imagem a texto imediatamente. O participante pode ver o resultado na hora”, conta o fotógrafo, que começou com essa experiência em 1999.

Na época, seu objetivo era coletar impressões sobre o futuro do País na virada do milênio. “Então pensei em passar a palavra para as pessoas, de uma maneira que eu pudesse juntar o texto da manifestação dela junto ao retrato”, diz. “Comecei em dois lugares: na Vila Madalena e no Largo da Batata. Mas aí o projeto foi se expandindo, e com o passar do tempo, cheguei a fazer até em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, Dinamarca e Índia.”

Os louros não demoraram a ser colhidos. Fridman arrebatou diversos prêmios – como o Brasil da Virada do Século, em 2000 –, foi finalista em outros – como o Adobe Digital Contest – e expos os resultados dessa intervenção na Pinacoteca do Estado (em 2004), na Feira Literária Internacional de Parati (em 2009), entre outros locais. O material foi integrado ao acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e à Biblioteca do Congresso Americano, em Washington. Em 2008, 70 das 300 fotos do projeto original deram origem a um livro de mesmo título: Retratos Falantes.

Na versão atual da brincadeira, o participante recebe a foto por e-mail. “E tudo também vai ser disponibilizado em nosso site, o www.retratosfalantes.com.br”, conta Fridman. “Acho que tanto tempo depois, o retrato do brasileiro vai ser um pouco diferente. O Brasil de hoje é outro. As aspirações e sonhos devem ser outros também.” Ao lado do estúdio-móvel, as pessoas podem conferir uma exposição de fotos feitas por Paulo Fridman nesses 14 anos de projeto.

Tema da coluna veiculada pela rádio Estadão em 10 de junho de 2013

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