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“O Parque da Água Branca tem caráter”

Edison Veiga

24 de setembro de 2010 | 06h00

FOTO: JB NETO/ AE
Na edição impressa de hoje, o poeta Frederico Barbosa fala sobre sua paixão pelo Parque da Água Branca. Confira a seguir a entrevista completa e o poema que ele fez, em 1984, inspirado pelo sossego do parque.

Desde quando você mora nos arredores do Parque da Água Branca?
Eu moro em Perdizes, próximo ao Parque da Água Branca, há quase 40 anos. Sou muito bairrista. E acompanhei, com alegria, as transformações da região nestas décadas. Tudo melhorou muito, principalmente nos últimos 20 anos. Temos muito mais opções de diversão e cultura hoje. O Parque da Água Branca agora começa a acompanhar o ritmo da mudanças benéficas.

Por que você ama esse parque?
Eu o considero o parque mais bonito de São Paulo. Seja na variedade da vegetação, seja nas construções da década de 20. A somatória destes fatores cria um ar europeu que inexiste em parques mais recentes, de vegetação mais rasteira e sem alma. O Parque da Água Branca tem caráter. Tem história e agora vai se convertendo no Parque da Cultura.

Qual sua relação com ele? Visita-o com que frequência?
Costumava visitar o parque ao menos duas vezes por semana, para caminhar. Agora que montamos lá dentro um Espaço de Leitura, vou com mais frequencia ainda, para me deliciar vendo as pessoas envolvidas na leitura, curtindo os livros que estão nos quiosques.

O que você mais gosta nele? O que menos gosta?
O que mais gosto nele é que não é um parque monotemático. É o Parque da diversidade. Temos o caráter rural, herança da época em que foi um Parque de Exposições Agropecuárias, os animais que tanto fascinam as crianças; temos a história e a cultura popular, na Casa do Caboclo; temos hoje o Espaço da Leitura; a Trilha do Pau Brasil, em que podemos conhecer diversos tipos de árvores de diferentes regiões do mundo; o bambuzal belíssimo; enfim, muita coisa antiga que agora se complementa com várias novidades que só acrescentam ao Parque. Eu acho um desperdício todas aquelas casas enormes que existem no Parque e que são utilizadas por Associações das mais diversas… Casas fechadas, inacessíveis á população. Eu creio que estas associações, particulares, deveriam ser transferidas para imóveis comerciais particulares. E os edifícios da década de 1920 deveriam ser utilizados para abrigar teatros, cinemas, exposições etc. Para que a população pudesse usufruir de atividades culturais mais frequentes.

Já escreveu algum poema em que aparece o parque? Qual?
Não diretamente, mas já escrevi um poema no parque, inspirado em observar a cidade nos seus arredores:

Nudez
corpo capaz de revolta
luta fogo fúria
faísca viva:

a cidade
arquiteta seus planos

Por que decidiu começar a fotografar (e tuitar) o parque?
Comecei a ir mais frequentemente ainda ao Parque quando a Poiesis, Organização social que eu dirijo, em parceria com o FUSSESP, capitaneado pela Deuzeni Goldman, fez o Espaço Praler nos quiosques que outrora abrigavam pássaros e animais. Desde que o Ibama proibiu este uso, ficaram seu uso até nós termos a ideia de tranformá-los em minibibliotecas. Comecei então a fotogrfar o Espaço de Leitura e todo o Parque, que vai ficando cada dia melhor, mais arrumdado e mais voltado para a cultura… Passei a tuitar, então, estas fotos que são declarações de amor ao meu parque e à minha cidade.