Wadih Mutran (PP), aliado de Maluf, volta à Câmara de SP
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Wadih Mutran (PP), aliado de Maluf, volta à Câmara de SP

Diego Zanchetta

06 de outubro de 2014 | 12h25

COM RAFAEL ITALIANI

Com a eleição do vereador José Américo (PT) para deputado estadual, quem volta à Câmara Municipal de São Paulo é Wadih Mutran (PP), de 79 anos, um dos símbolos do malufismo e integrante da tropa de choque do ex-prefeito Celso Pitta (1946-2009). “Se Deus quiser em março estarei lá”, afirmou um eufórico Mutran ao Estado, hoje pela manhã, em entrevista por telefone.

Em 2012, Mutran conseguiu um oitavo mandato consecutivo como primeiro suplente da coligação que apoiou o prefeito Fernando Haddad (PT) – mas teve de deixar a vaga no início de 2014, com a volta de Eliseu Gabriel (PSB), secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, ao Legislativo paulistano.

Rouco pela comemoração do dia anterior, o vereador mal conseguia falar hoje pela manhã. Mutran é um dos ícones da política clientelista que ainda vigora em bairros antigos de classe média da capital paulista. Com reduto eleitoral na Vila Maria, na zona norte da capital, ele mantêm três ambulâncias para levar moradores do bairro a hospitais e prontos-socorros da região. Também é famoso por distribuir cadeiras de rodas para deficientes. “Em março estou de volta”, afirmou à reportagem.

Mutran volta em março de 2015, quando Américo assumir sua vaga na Assembleia Legislativa. Nos últimos meses, o vereador entrou em profunda depressão após deixar a Câmara, onde ficou por 30 anos.

Ele ainda vai toda semana no Palácio Anchieta e fica vagando pelos corredores, falando com funcionários e assessores como se ainda fosse vereador. É comum ele também ir às sessões e entrar no plenário para cumprimentar os colegas. Na Vila Maria, ele anda pelas ruas do comércio local e cumprimenta lojistas como parlamentar. “Sair da Câmara pirou ele. Agora está feliz de novo”, relatou um colega do PP.

Durante as três décadas dentro da Câmara Municipal, Mutran nunca fez oposição a qualquer governo e se orgulha de dizer isso. Esteve na base governista de todos os últimos prefeitos desde 1986, de Jânio Quadros a Haddad. Defendeu a prefeita Marta Suplicy (PT) entre 2001 e 2004 para no ano seguinte integrar a base do prefeito José Serra (PSDB). Agora volta para integrar a base de Haddad no Legislativo.

Mutran também se orgulha de ter ocupado a Corregedoria da Câmara Municipal por 8 anos, entre 2003 e 2011, e nunca ter aberto nenhum procedimento de investigação contra seus colegas.

Entre 2008 e 2012, o parlamentar que defendeu os vereadores condenados no caso conhecido como “Máfia dos Fiscais” dobrou seu patrimônio de R$ 1,9 milhão para R$ 3,8 milhões. O enriquecimento no período ocorreu, segundo Mutran, porque ele ganhou três vezes seguidas na loteria esportiva.

Saída. Além de Américo, quem também deixa a Câmara Municipal são os vereadores Floriano Pesaro (PSDB), Goulart (PSD), Telhada (PSDB), Marta Costa (PSD), Coronel Camilo (PSD) e Tripoli (PV).

Fortalecido com a vitória nas urnas, Américo quer fazer como seu sucessor o vereador Paulo Fiorilo (PT) para presidente da Câmara no biênio 2015-2016. Fiorilo só não vai conseguir se eleger com facilidade caso Dilma seja derrotada e Marta Suplicy volte ao Senado, na vaga ocupada pelo suplente e vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR).

Presidente do Legislativo paulistano entre 2006 e 2010, Rodrigues já avisou que volta para ser presidente, caso tenha de deixar Brasília. Ele conta com o apoio de parte da base governista insatisfeita com o prefeito Fernando Haddad (PT) e de líderes do antigo “centrão”, como Milton Leite (DEM) e Trípoli (PV).

 

Mutran na Vila Maria, flagrado em 2010 pelo Estado usando carro oficial da Câmara nas eleições; aliado de Maluf reassume vaga no Palácio Anchieta em março

 

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