Um ano após tragédia, Câmara decide investigar casas noturnas de SP
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Um ano após tragédia, Câmara decide investigar casas noturnas de SP

Diego Zanchetta

04 Fevereiro 2014 | 17h19

Mais de 12 meses após a tragédia da boate Kiss, os vereadores paulistanos decidiram abrir hoje à tarde, na volta do recesso, uma CPI para investigar o funcionamento das casas noturnas de São Paulo. Por outro lado, a base governista do prefeito Fernando Haddad (PT) minou a articulação do oposicionista Gilberto Natalini (PV), que tentava instalar uma comissão de inquérito para investigar o escândalo da máfia do ISS na Prefeitura – um grupo de auditores desviou mais de R$ 500 milhões dos cofres públicos entre 2005 e 2012, segundo o Ministério Público Estadual.

A CPI das casas noturnas foi proposta pelo vereador evangélico Eduardo Tuma (PSDB), líder da Frente Parlamentar Cristã, que agrega 16 dos 55 vereadores do Legislativo paulistano. Nos próximos 12 meses a comissão quer analisar a documentação e verificar as condições de segurança de mais de 800 boates e casas noturnas da cidade.

“Acho péssima essa CPI. Não tem cabimento. Nós deveríamos investigar a máfia dos auditores”, disparou Ricardo Young, líder do PPS, contrário à CPI das casas noturnas. O outro vereador que foi contra a investigação foi Toninho Vespoli (PSOL). “Toda vez que vemos esse tipo de investigação surgem denúncias de achaques contra empresários. Não deveria ser o foco neste momento. Acho que a Casa tinha a obrigação de acompanhar de perto da investigação da máfia do ISS”, argumentou Vespoli.

Natalini vai tentar reapresentar o pedido de CPI na próxima terça-feira. Mas admite que a chance de ser aprovada é nula. “O governo não vai deixar isso passar de jeito nenhum. Tenho 19 assinaturas, precisava de 28”, contou ao Estado o vereador. A Câmara precisa ter pelo menos duas CPIs em funcionamento – a outra, que está instalada desde 2013 e acaba no próximo dia 13, é a CPI dos Transportes, do vereador Paulo Fiorilo (PT).

O governo também tenta minar o pedido de CPI para investigar a ocupação das Zonas de Interesse Social (Zeis), feito pelo líder do PSD e ex-presidente da Câmara, José Police Neto. Neste caso a comissão iria apurar como foi a ocupação dos terrenos da cidade demarcados no Plano Diretor de 2002 como de interesse social – existe a suspeita de que empreendimentos de luxo foram construídos em áreas reservadas para prédios populares da Cohab e da CDHU.

DEFESA

Líder do PSDB, Floriano Pesaro defendeu a investigação das condições de funcionamento das casas noturnas. “A CPI quer verificar quais são os obstáculos que surgem na hora da liberação de um alvará de funcionamento e acabar com a corrupção nessa área”, defendeu o tucano.

“Um ano após a tragédia (de Santa Maria) não vimos nenhum avanço em na capital paulista relação à burocracia, à corrupção que existe na concessão de alvarás e licenças de funcionamento. Queremos que a CPI do vereador Tuma investigue quais são esses problemas”, acrescentou Pesaro.

PLANO DIRETOR

Em seu comunicado na volta do recesso, o líder de governo Arselino Tatto (PT) informou aos vereadores que a prioridade da gestão Fernando Haddad (PT) no primeiro semestre de 2012 é votar a revisão do Plano Diretor – a proposta cria novas regras para o crescimento da cidade até 2024. Hoje Haddad se reúne com os líderes de bancada do Legislativo para reforçar o pedido.

“Votar o Plano Diretor até junho é a prioridade máxima. É a chance de todos os partidos, independentemente de ser oposição ou governo, estarem com o foco em criar regras que finalmente possam ordenar o crescimento de São Paulo e mudar o que ocorreu nos últimos anos”, defendeu Tatto.

Relator do Plano Diretor, o vereador Nabil Bonduki (PT) avalia que três meses é um prazo razoável para que a proposta seja debatida e votada. “Estamos incorporando as propostas recebidas pela população na consolidação do texto final”, disse Bonduki, que recebeu mais de 1.000 propostas em 43 audiências públicas realizadas no ano passado.

Eduardo Tuma (PSDB), que será presidente da CPI das Casas Noturnas, conversa com Ricardo Young (PPS) e Gilberto Natalini (PV)