Procurador suspeito de integrar a Máfia do ISS é exonerado
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Procurador suspeito de integrar a Máfia do ISS é exonerado

Diego Zanchetta

19 Novembro 2013 | 11h58

COM ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO E FÁBIO LEITE

Número 2 na Secretaria Municipal de Finanças durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), Silvio Dias foi exonerado hoje da Procuradoria da Fazenda do Município, onde recebia R$ 19 mil mensais. Suspeito de integrar a quadrilha que desviou pelo menos R$ 500 milhões do recolhimento de impostos como ISS e IPTU, Dias também vai ser suspenso por 120 dias do cargo de procurador.

Uma testemunha disse ao Ministério Público Estadual (MPE) que o núcleo de Finanças da gestão Kassab frequentava o escritório mantido pela quadrilha de fiscais apelidado de “ninho da corrupção”, no Largo da Misericórdia, no centro paulistano, ao lado do Patio do Colégio.

O depoimento revela a ligação do líder do grupo, Ronilson Bezerra Rodrigues, com o ex-secretário Walter Aluísio Morais Rodrigues, e seu adjunto, Silvio Dias, procurador de carreira da Prefeitura e exonerado hoje, em portaria publicada no Diário Oficial da Cidade. No relato ao MP a testemunha também afirma que o empresário Marco Aurélio Garcia, irmão do atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM), ex-aliado de Kassab, devia R$ 1 milhão a Rodrigues.

O depoimento, datado de 6 de novembro, é de uma mulher que tinha um relacionamento íntimo com Rodrigues. A mulher, que frequentava o escritório da quadrilha, afirma que Rodrigues passou a fazer confidências sobre seus delitos após o início da investigação da Controladoria-Geral do Município (CGM), neste ano.

Segundo afirmação da testemunha, Walter Aluísio, secretário de Finanças de janeiro de 2008 a janeiro de 2011, esteve “algumas vezes” no escritório de Rodrigues, com quem tinha negócios. “Walter queria que Ronilson Rodrigues participasse de consultorias tributárias para outros municípios, por meio de uma empresa na qual acredita que Silvio Dias fazia parte”, diz o depoimento. Ainda segundo o relato, Rodrigues e Aluísio chegaram a viajar juntos para Campos do Jordão, no interior, Santos, no litoral, e Belo Horizonte (MG). Atualmente, Walter Aluísio é sócio de uma empresa de consultoria e planejamento.

A testemunha diz que Rodrigues e Silvio Dias, secretário adjunto de janeiro de 2008 a janeiro de 2011, eram amigos. “Silvio solicitava a Ronilson que verificasse o andamento de alguns processos administrativos no setor de finanças”, diz o relato.

INFLUÊNCIA

Nas coletivas de imprensa e em agendas do prefeito Kassab, o trio da cúpula de Finanças Aluísio-Dias-Rodrigues sempre estava junto. Cabia a Rodrigues dar detalhes e explicações aos repórteres e vereadores sobre números da receita do município, mudanças tributárias e novos projetos do Executivo que seriam enviados à Câmara. “Pergunta para o Ronilson”, dizia Kassab, quando questionado sobre algum número ou detalhe da pasta de Finanças.

O trio também é suspeito de ter vazado à imprensa dados que mostraram em 2011 a evolução patrimonial de Antonio Palocci, à época ministro da Fazenda. A pedido de Dias, Rodrigues chegou a fazer pesquisa de dados do Cadastro Contribuinte Mobiliário e conseguiu os dados do ministro. Após o início das investigações, Rodrigues acreditava estar sendo perseguido pelo PT por causa disso.

Nos últimos dias, a reportagem tentou contato com Aluísio, Dias e Rodrigues, mas eles não foram localizados.

 

Silvio Dias, procurador de carreira e número 2 da Finanças na gestão Kassab, é exonerado após denúncias de integrar Máfia do ISS