Pressionado pelo PT, Haddad reduz poder da Secretaria de Comunicação
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Pressionado pelo PT, Haddad reduz poder da Secretaria de Comunicação

A verba irá para as mãos de Chico Macena (PT), ex-vereador mais próximo dos integrantes do PT municipal. A transferência foi oficializada com um decreto publicado no Diário Oficial da Cidade do último sábado

Diego Zanchetta

13 de outubro de 2014 | 18h35

COM BRUNO RIBEIRO E ADRIANA FERRAZ

O prefeito Fernando Haddad cedeu às pressões internas do PT e transferiu a gestão da verba de publicidade da Prefeitura, estimada em R$ 150 milhões, da Secretaria Executiva de Comunicação (Secom) para a Secretaria de Governo. A Comunicação, comandada por Nunzio Briguglio Filho, é o principal foco de críticas internas do partido – petistas acham que o prefeito tem desempenho ruim nas pesquisas de avaliação porque a gestão atual não sabe divulgar seus feitos.

A verba irá para as mãos de Chico Macena (PT), ex-vereador mais próximo dos integrantes do PT municipal. A transferência foi oficializada com um decreto publicado no Diário Oficial da Cidade do último sábado.

O racha no PT municipal vem sendo administrado pelo prefeito desde outubro do ano passado, quando o então secretário de governo, Antonio Donato, deixou o Executivo depois de ser relacionado à Máfia do ISS — ele nega toda as acusações.

A saída de Donato foi vista à época por parte do PT como uma “traição” de Haddad por parte dos petistas locais. Eles avaliaram que o prefeito havia sido influenciado pelo grupo apelidado de “PT de Brasília” (que inclui secretários como secretários Marcos Cruz, de Finanças, Leonardo Barchini, de Relações Internacionais, Leda Paulani, de Planejamento, e o próprio Briguglio).

Donato havia sido um dos principais articuladores do grupo de Haddad com os petistas paulistanos no início da campanha do prefeito em 2012. Sua saída foi colocada na conta de Briguglio pelos colegas de partido.

As críticas sobre a Comunicação de Haddad se intensificaram após esse episódio. Vereadores e parte do secretariado passaram a contar, nos bastidores, que a pasta de Briguglio não sabia divulgar os feitos de Haddad até o momento, como as faixas exclusivas de ônibus, as ciclovias, as praças wi-fi, as construções dos hospitais de Brasilândia, na zona norte, e Parelheiros, na zona sul, a Controladoria-Geral do Município (que descobriu a Máfia do ISS) e o novo Plano Diretor Estratégico — que rende elogios até da ONU.

A divulgação desses feitos deveria ser feita com um plano de publicidade mais eficiente, segundo esses críticos — justamente com a verba que sai, agora, das mãos de Briguglio. Durante a campanha de Alexandre Padilha (PT) ao governo estadual, petistas também dispararam contra a gestão Haddad – o partido avaliou que secretários como Briguglio pouco se envolveram para ajudar na disputa eleitoral.

O atual presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT), eleito deputado estadual, chegou a chefiar a Secom na gestão Marta Suplicy (2000-2004) e é hoje um dos principais opositores à gestão atual de Briguglio. Na Câmara, ele fortaleceu uma comissão de investigação que apurava os contratos do Serviço 156, o serviço de telemarketing da Prefeitura, que  também é gerenciado pela Secom. Américo chegou a liberar a contratação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para fazer auditoria no contrato, o que surpreendeu até os integrantes da comissão.

A auditoria, entretanto, não encontrou irregularidades que já não haviam sido apontadas pela própria Prefeitura. Durante a investigação, porém, Briguglio acabou sofrendo uma baixa: seu chefe de gabinete, Jacinto Amaral, gestor desse contrato, pediu demissão durante a investigação — mas negou, em uma carta a colegas de partido, que sua saída tivesse relação com o caso.

Outra coisa que desagradava as lideranças partidárias é o fato de Briguglio não ser filiado ao PT. O grupo dos petistas paulistanos faziam lobby para que ele fosse “convidado” a assumir a SPCine, agência de fomento ao cinema proposta no fim do ano passado pelo prefeito. A pasta de Comunicação deveria ser assumida por um petista, defendia a bancada do partido no Legislativo municipal.

Pessoas próximas ao grupo chamado “PT de Brasília”, entretanto, afirmam  que o embate com os petistas paulistanos se dava justamente por causa da verba de publicidade. Briguglio usaria critérios técnicos para a escolha dos meios de comunicação que recebem a verba. Ele, por exemplo, cortou recursos para jornais de bairro que poderiam atenuar as críticas a Haddad, em troca da venda de espaço publicitário, o que desagradou vereadores. Briguglio também acabou com nove contratos de assessorias de imprensa mantidos até o final de 2012 – parte do PT defendia a volta desses contratos como forma de “enfrentar a imprensa”.

O secretário de Governo, Chico Macena (PT), que não conseguiu se reeleger vereador, é tido como próximo aos petistas paulistanos. Ao assumir a publicidade, a expectativa é que ele dê mais espaço às sugestões dos colegas do PT paulistano.

Procurado pela reportagem, Briguglio minimizou o esvaziamento de sua pasta. Ele declarou que a decisão do prefeito foi para evitar um sobrecarregamento de trabalho na Comunicação.

Presidente do PT municipal, o vereador Paulo Fiorilo afirmou que a decisão de transferência da publicidade “foi acertada para que o governo divulgue melhor seus projetos.”

 

Nunzio Briguglio ao lado da vice-prefeita Nadia Campeão: secretário de Comunicação sofria oposição dentro do PT por reduzir gastos com assessorias de imprensa e publicidade

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