Presos em 2003, ex-aliados disputam comando de sindicato dos motoristas
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Presos em 2003, ex-aliados disputam comando de sindicato dos motoristas

Diego Zanchetta

10 Julho 2013 | 23h00

De aliados a inimigos que se enfrentam nos tribunais, os dois homens que disputam hoje a presidência do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo têm em comum um longo histórico de problemas com a Justiça. Nas fichas policiais de Isao Hosogi, de 60 anos, da situação, e de Valdevan Noventa, de 44, da chapa de oposição, constam acusações de enriquecimento ilícito, formação de quadrilha e suspeitas de ligação com o crime organizado.

Alguns desses crimes teriam sido cometidos pelos dois em conjunto até 2003, quando Hosogi e Noventa, diretores da mesma chapa que comandava o sindicato, foram presos acusados de comandar uma máfia que organizava greves em conluio com as empresas de ônibus. Hoje, porém, eles trocam acusações mútuas. As rusgas começaram há cerca de cinco meses, quando Noventa passou a ganhar apoio de parte da atual diretoria para montar chapa própria pela disputa da entidade.

Noventa distribuía ontem panfletos com o título “Jorginho do Patrão”, com fotos de supostas casas de praia de Hosogi em Ilhabela e Itanhaém, além de imóveis que somariam um patrimônio de mais de R$ 16 milhões. A situação acusa os oposicionistas de terem “ficha-suja” com a polícia.

“Nós descobrimos de um mês pra cá que o japonês nem brasileiro é. Tenho provas de que ele não foi naturalizado. Como pode um estrangeiro querer representar o sindicato dos motoristas?”, questiona Noventa. “Eu cheguei no Brasil com quatro anos. Sou casado com uma cearense. Nem conheço o Japão. Sou muito mais brasileiro que ele”, responde Hosogi.

O atual presidente também nega o enriquecimento. “Eu só tenho uma casa em Itanhaém de três cômodos, nunca nem fui pra Ilhabela”, argumenta Hosogi. “Ele ganhou casa do dono da VIP Transporte e aceitou uma cesta básica ruim para os trabalhadores”, emenda Noventa.

DISPUTA

Após serem libertados em 2004, Hosogi assumiu a presidência do sindicato, com apoio do ex-presidente Edvaldo Santiago, de 65 anos. Noventa passou a comandar uma cooperativa de perueiros em Taboão da Serra, onde se tornou vereador.

No comando do sindicato, Hosogi voltou a ter problemas com a Justiça em 2010. Após a morte de dois diretores da entidade, a polícia colocou Hosogi como suspeito de ter desviado dinheiro de contratos de planos de saúde da categoria.

Na mesma época Noventa foi investigado por suspeita de lavar dinheiro para o tráfico de Paraisópolis nas lotações de Taboão. Ambos dizem já terem respondido todas as acusações.

Segundo o Ministério Público, a disputa pelo poder entre sindicalistas do transporte público paulistano causou a morte de ao menos 16 pessoas nos últimos 20 anos em São Paulo. Um dos casos recentes, em 2010, envolveu José Carlos da Silva, de 50 anos, morto por dois homens em uma moto.

Uma das suspeitas da polícia à época era de que Silva tinha ligações com a atual cúpula do sindicato e brigou por não receber pagamentos de seus aliados. Ele teria passado a tentar reunir provas dos desvios de verba no sindicato para entregar à polícia e ao Ministério Público. Com isso, teria causado a ira dos diretores.

 

Isao Hosogi, atual presidente, diz que seus antigos aliados têm “ficha-suja” com a polícia

Perfil – ISAO HOSOGI

Aos 60 anos, está no comando do Sindicato dos Motoristas desde 2004. É “afilhado” politico do ex-presidente Edvaldo Santiago, a quem hoje acusa de ter “ficha-suja” na polícia. Em 2010, após a morte de dois diretores do sindicato, foi suspeito de estar no centro de uma disputa pelo controle de um caixa 2 de R$ 500 mil ao mês. A verba seria desviada de contratos de planos de saúde da categoria, da compra de cestas básicas para os funcionários e de convênios com empresas, como farmácias. Ele nega as acusações.

 

Valdevan Noventa, antigo braço-direito de Hosogi: “o japonês nem brasileiro é”

Perfil – VALDEVAN NOVENTA

Candidato da chapa de oposição e filiado ao PDT, Valdevan Noventa, de 44 anos, era o diretor de Finanças da atual gestão e braço direito de Isao Hosogi. Nos anos 90, Noventa foi indiciado em inquéritos policiais sob a acusação de roubo, estupro, homicídio e outros crimes. Ele, porém, não sofreu condenações nesses casos. Mais recentemente, em 2011, foi investigado pela Polícia Civil sob suspeita de usar uma cooperativa de vans e ônibus de transporte público para lavar dinheiro obtido pela facção criminosa PCC.