Parque D. Pedro II, no centro de São Paulo, vai ganhar pista de skate
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Parque D. Pedro II, no centro de São Paulo, vai ganhar pista de skate

Diego Zanchetta

26 Abril 2013 | 12h52

Degradado há mais de 70 anos e um dos pontos mais perigosos e mal iluminados do centro paulistano, o Parque Dom Pedro II, ao lado do Mercado Municipal, vai ganhar uma pista de skate. A Prefeitura planeja transformar o espaço hoje tomado por moradores de rua no principal reduto dos 500 mil skatistas da cidade.

A meta é tentar também atrair as centenas de skatistas que hoje lotam a Praça Roosevelt, também na região central, o Parque da Independência, onde fica o Museu do Ipiranga, e a Avenida Paulista, três dos principais redutos dos esportistas.

O projeto teve o aval da Confederação Brasileira de Skate (CBSk). Segundo estimativa da entidade e da Prefeitura, cerca de 500 mil pessoas andam de skate pelo menos uma vez por semana na capital paulista.

“A ideia é transformar o Parque Dom Pedro II em um polo de esportes radicais”, afirma Marcos Barreto, subprefeito da Sé. Ao lado do parque, onde ficavam os antigos prédios São Vito e Mercúrio, demolidos em 2011, será erguida uma unidade do Senac.

        Cercado por viadutos, Parque Dom Pedro II é um dos pontos mais mal iluminados e perigosos do centro

 

O novo projeto que tenta integrar o Parque Dom Pedro II, o Mercado Municipal e o futuro Senac, iniciado na gestão Gilberto Kassab (PSD), tenta recuperar uma área que sofre com o abandono há mais de sete décadas. Inaugurado em 1922 como a principal área de lazer da cidade, projetado pelo francês Joseph-Antoine Bouvard (1840- 1920), o parque permanece como a área do centro mais esquecida pelo poder público desde o início da década de 1950. Os assaltos na região são diários.

A partir de 1945, quando as autoridades passaram a promover obras populistas, como a construção de viadutos, o Parque D. Pedro II foi deixado de escanteio nas ações do governo municipal. Projetos recentes apresentados na gestões de Luiza Erundina (1989-1992) e de Marta Suplicy (2001-2004), por exemplo, não saíram do papel. Erundina queria demolir os viadutos que cobrem o parque e Marta queria levar moradias populares para revitalizar a região.

Hoje praticamente não existem moradores nas ruas no entorno do parque. Um esvaziamento que teve início no século 20, com a migração dos mais ricos que moravam na região da Praça do Patriarca para o outro lado do Viaduto do Chá, e depois para bairros como Campos Elísios e Higienópolis.

Naquela época o Parque D. Pedro II passou a ser o divisor de águas entre a pujança da parte nobre da capital e a zona leste, considerada “a cidade dos trabalhadores”. O afastamento da elite do centro foi proporcional à degradação da região. Os projetos para tentar criar conjuntos de moradias populares.