MTST admite defender candidatura à presidência nas eleições
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MTST admite defender candidatura à presidência nas eleições

Diego Zanchetta

24 Julho 2014 | 11h16

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e à frente dos principais protestos que aconteceram em São Paulo neste ano, o filósofo Guilherme Boulos, de 32 anos, admite que a entidade vai poder ter candidatos nas eleições de 2014. Ontem, durante parte do trajeto de 3 quilômetros entre o Masp e a Avenida Paulista, na 31ª manifestação da entidade no ano na capital paulista (média de uma por semana), Boulos falou ao Estado que o MTST não possuí qualquer financiamento de partido ou sindicato.

“Hoje fizemos um rateio de R$ 1 para pagar alguns ônibus. Mas muitas pessoas vieram do Metrô, com seu dinheiro próprio. Existe uma consciência de que é necessário lutar pelo direito à moradia em uma cidade desigual como São Paulo”, argumentou Boulos. Atualmente o movimento tem 16 ocupações na Região Metropolitana, onde moram cerca de 26 mil pessoas.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

1)  O protesto de hoje (ontem) tem como alvo só a reintegração na ocupação Portal do Povo?

R: “Não. Temos outros compromissos não cumpridos pelo governo municipal com a gente, em relação às ocupações Dona Deda, Capadócia e Cidade Tiradentes.”

2) O MP hoje já alertou a Prefeitura hoje de que não poderá haver furo na fila do cadastro da Cohab. O que você achou?

R: “Acho que o promotor Maurício (Ribeiro Lopes) foi muito infeliz. Ele deu a entender que nós estamos furando alguma fila. Acho que o MP precisa ter bom senso para ver que a fila que já existe hoje não é atendida.”

3)  O MTST foi protagonista dos protestos de 2014 na capital paulista. E nas eleições, vocês vão apoiar algum candidato?

R: “Isso será decidido agora, em um seminário que vamos fazer com todas as lideranças e militantes. Podemos sim eventualmente apoiar editorialmente uma candidatura (à presidência), como fizemos em 2010 com o Plínio de Arruda Sampaio. Não existe nenhum problema nisso.”

4) A tendência é vocês apoiarem a Luciana Genro do PSOL?

R: “Não tem nada decidido ainda em relação a isso. Temos o nosso seminário para fazer essa discussão.”

5) O MTST lançou uma revista, a Territórios Transversais, vendida por R$ 19,90 na internet. Quem financiou o projeto?

R: “A revista foi financiada por meio de uma colaboração (de R$ 50), pedida voluntariamente em nossa página do Facebook. Foi com o dinheiro desses simpatizantes e voluntários que fizemos a revista.”

6) Existe algum outro tipo de financiamento para o MTST, de partido ou sindicato?

R: “Não existe. Somos autofinanciáveis. Não cobramos mensalidades dos nossos associados. Tudo é feito de forma voluntária e colaborativa. O que existe é uma mobilização das pessoas pelo seu direito à moradia.”

7) As pessoas não se mobilizam para poder assinar as listas de presenças e conseguir, dessa forma, pontuação para o Minha Casa Minha Vida….

R: “Não é pela pontuação. As pessoas estão conscientes de que precisam lutar para conseguir moradia em São Paulo. Elas sabem que precisam batalhar para fazer as coisas acontecerem.” 

 

Protesto do MTST em junho na zona sul: entidade já fez 31 manifestações na capital em 2014

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