Justiça dá 6 meses para 475 famílias deixarem Cine Marrocos
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Justiça dá 6 meses para 475 famílias deixarem Cine Marrocos

O Cine Marrocos foi ocupado em outubro de 2013 pelo Movimento dos Sem Teto do Sacomã (MSTS), entidade criada 20 dias antes da invasão. Advogados que controlam o prédio cobram “condomínio” de até R$ 200 de africanos e travestis que enfrentam preconceito na hora de alugar um imóvel na capital paulista.

Diego Zanchetta

12 Fevereiro 2015 | 11h17

O juiz Emilio Migliano, da 7ª Vara da Fazenda Pública, determinou que as 475 famílias que ocupam o Cine Marrocos, no centro de São Paulo, precisam deixar o prédio até o final de junho. Com o prazo estipulado pela Justiça, a Secretaria Municipal de Educação, dona do edifício icônico dos anos 1950, desistiu de pedir a reintegração de posse.

O Cine Marrocos foi ocupado em outubro de 2013 pelo Movimento dos Sem Teto do Sacomã (MSTS), entidade criada 20 dias antes da invasão. Advogados que controlam o prédio cobram “condomínio” de até R$ 200 de africanos e travestis que enfrentam preconceito na hora de alugar um imóvel na capital paulista.

São 52 famílias só de haitianos que ocupam o segundo andar inteiro do prédio. Imigrantes de Serra Leoa e de Cabo Verde que participaram de conflitos armados em seus países também estão entre os inquilinos. A maior parte dos moradores da ocupação não consegue entrar na fila dos programas habitacionais da Cohab e do Minha Casa Minha Vida – estrangeiros precisam ter residência fixa de 5 anos no Brasil para conseguir casa própria financiada pelo governo.

Dos sete andares do Cine Marrocos, três estão reservados só para estrangeiros. Douglas Gomes, de 35 anos, advogado responsável pela ocupação, diz que deixará os prédios após as famílias entrarem na fila de algum programa habitacional.

“Os compromissos que eu tenho com meus associados eu preciso cumprir, que é deixar eles encaminhados para uma casa própria. Antes de cumprir esse acordo eu não posso colocar eles na rua”, afirma o advogado do MSTS. A entidade também comanda outros sete prédios invadidos na região central. A ocupação no Cine Marrocos da cidade em edifícios.

Cadastro. Hoje a Prefeitura vai fazer um pré-cadastro das famílias que estão na ocupação e que podem entrar na fila da casa própria na capital paulista, conforme determinação também feita pela 7ª Vara da Fazenda Pública. Arquitetos e assistentes sociais do governo vão fazer um censo das famílias no local com o objetivo de evitar que novas famílias invadam o prédio quando chegar perto o final do prazo para a desocupação.

A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) temia que uma reintegração de posse no prédio pudesse gerar uma batalha nas ruas do centro, como ocorreu no ano passado, durante reintegração de um prédio na Avenida Ipiranga, onde moravam 116 famílias de sem-teto. Com 475 famílias dentro do Cine Marrocos, a chance de um conflito era grande em uma eventual desocupação forçada, avaliou o governo.

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