Haddad libera bebida alcoólica no Itaquerão nos jogos da Copa
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Haddad libera bebida alcoólica no Itaquerão nos jogos da Copa

Diego Zanchetta

24 Abril 2014 | 18h08

Em meio à tumultuada votação do Plano Diretor, proposta que define, entre outras coisas, as novas regras para a construção de prédios em São Paulo, os vereadores paulistanos receberam do prefeito Fernando Haddad (PT) um projeto de lei que declara feriado na capital paulista no dia 12 de junho, data do jogo de abertura da Copa do Mundo. A partida entre Brasil e Croácia será na nova arena do Corinthians, em Itaquera, na zona leste, onde também serão realizadas as outras cinco partidas marcadas na cidade.

O prefeito também coloca no texto um artigo que autoriza a Prefeitura a declarar feriado nos dias das outras cinco partidas que serão realizadas na capital paulista. A proposta de Haddad ainda altera duas leis municipais para liberar a venda de bebida alcoólica nos estádios. A justificativa aponta que a revogação das leis 12.402/1997 e 14.726/2008 é necessária “para cumprir a lei federal 12.663, de 5 de junho de 2012”, que autorizou a venda de cerveja nas arenas da Copa do Mundo.

A proposta da Prefeitura de São Paulo cumpre a obrigação prevista no acordo entre a Fifa e o governo federal, feito em 2012, para a realização do Mundial no país. A entidade que dirige o futebol não abre mão de ter o direito de vender cerveja nas partidas da Copa. Outras cidades como Rio de Janeiro e Fortaleza já concederam a mesma autorização.

Haddad também argumenta que os feriados são necessários para evitar os congestionamentos e a superlotações do transporte público (ônibus, Metrô e trem) nas horas que antecedem os jogos. “Nessas condições, é fundamental garantir a redução expressiva do trânsito, impedindo um eventual colapso do sistema viário, descongestionando o transporte público rodoviário e a rede metroferroviária”, diz a proposta que chegou ontem à Câmara Municipal.

O texto do Executivo, que ainda precisa ser lido em plenário, determina que “deverão funcionar as unidades públicas municipais cujas atividades não possam ser interrompidas, podendo nas demais – a critério dos titulares dos respectivos órgãos – ser instituído regime de plantão nos casos julgados necessários. Não haverá feriado para serviços e atividades essenciais.”

 

Estádio do Corinthians em construção na zona leste: projeto de Haddad libera bebida na arena nos dias de jogos da Copa

 

“NOITE DAS GARRAFADAS”

Para poder vender cerveja nos seis jogos da Copa do Mundo que serão realizados no Itaquerão, a Fifa obrigou a Prefeitura de São Paulo a mudar uma regra que vigora na cidade desde o início da década de 1990

A proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, oficializada pela CBF só em 2008, começou em São Paulo no Campeonato Paulista de 1992. A motivação ocorreu um ano antes, após a partida entre Corinthians e Flamengo pela Liberadores de 1991 conhecida como “Noite das Garrafadas”.

Na partida, o atacante Gaúcho, após marcar o segundo gol do Flamengo e colocar o time carioca na frente do placar por 2 a 1, fez tchauzinho e mandou beijos para a torcida corintiana. Alguns torcedores também acusaram um dos bandeirinhas de ter vibrado na hora do gol flamenguista.

Revoltada, a torcida começou a invadir o campo e a atirar cascos de 600 ml da cerveja Antarctica. Mais de duas centenas de garrafas foram atiradas no campo e o juiz encerrou a partida por falta de segurança. Um torcedor que invadiu o campo e partiu para cima de Gaúcho desistiu ao ver que o atacante ficou parado e em posição de briga. Dez pessoas ficaram feridas em uma das noites mais tristes da história do Pacaembu.

Outro episódio que motivou a proibição da cerveja nos estádios ocorreu no dia 22 de janeiro de 1992, durante a semifinal da Copa São Paulo de Futebol Júnior entre Corinthians e São Paulo, no campo do Nacional. Houve uma briga generalizada entre as duas torcidas, com torcedores disparando garrafas dos dois lados. O torcedor corintiano Rodrigo Gasperin morreu após o tumulto.

 

Partida entre Corinthians e Flamengo na Libertadores de 1991, conhecida como “Noite das Garrafadas”: episódio motivou proibição da venda de bebidas nos estádios paulistas

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