Haddad contraria PT e escolhe João Antonio para o TCM
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Haddad contraria PT e escolhe João Antonio para o TCM

Diego Zanchetta

26 Dezembro 2013 | 15h29

Em reunião com a bancada do PT hoje pela manhã, o prefeito Fernando Haddad (PT) indicou seu secretário municipal de Relações Governamentais, João Antonio (PT), de 53 anos, para disputar a vaga de conselheiro aberta no Tribunal de Contas do Município (TCM) com a aposentadoria de Euripedes Sales.

Na semana passada, porém, o diretório municipal do PT havia lançado a candidatura de Arselino Tatto (PT) – na terça-feira passada, em pouco mais de quatro horas, o líder petista Alfredinho (PT) conseguiu a assinatura de 23 dos 55 vereadores a favor do Tatto (leia aqui).

Tatto não escondeu ao blog a insatisfação com a escolha. “Se não tenho o apoio amplo, fazer o que, né? Eu já tinha 23 assinaturas. Mas o jeito agora é tocar a bola pra frente”, disse o vereador.

Haddad usou argumentos técnicos para defender hoje cedo a candidatura de Antonio, advogado e mestre em Filosofia do Direito pela PUC-SP. Ele também foi três vezes deputado estadual e três vezes seguidas vereador. Foi líder da gestão Marta Suplicy (PT) no Legislativo paulistano entre 2003 e 2004.

O prefeito também falou que espera contar com Jilmar Tatto (PT) na secretaria de Transportes em 2014. Na avaliação de Haddad, não seria correto Tatto permanecer em um cargo cuja uma das funções seria auditar os contratos feitos pelo irmão.

Tatto abriu mão de sua candidatura imediatamente e disse que vai apoiar Antonio contra Roberto Tripoli (PV), candidato que tem uma lista de apoio com a assinatura de 34 dos 55 parlamentares. Tripoli não vai abrir mão de sua candidatura e a disputa deve ir a plenário no início de fevereiro.

Vereador mais votado nas eleições de 2012, Tripoli tem o apoio do PSDB e do PSD. O articulador de sua campanha ao TCM é o governista e ex-tucano Dalton Silvano (PV). A candidatura também conta com articulações de Kassab e do ex-presidente da Câmara a atual senador Antonio Carlos Rodrigues (PR).

Procurado para comentar a decisão do prefeito, o presidente do diretório municipal do PT, Paulo Fiorilo, que havia aderido à campanha de Tatto na semana passada, não foi localizado.

Ele e o irmão vinham argumentando dentro do PT e à imprensa que não haveria incompatibilidade legal em um ser conselheiro e o outro secretário de governo. A família Tatto, fundadora da corrente petista Luta de Massas, é hoje ‘dona’ de 10% do partido.

Mais uma vez, entretanto, Haddad mostrou que não aceita pressões do partido em suas decisões de governo. Em novembro o prefeito já havia deixado claro que não pouparia nomes de aliados do PT nas investigações da máfia do ISS, incluindo o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).

ESTRATÉGIA

Nos últimos dois meses, Antonio adotou a estratégia de se afastar da disputa. Há duas semanas, por exemplo, declarou ao Estado que estava fora e gostaria de permanecer no governo.

Nos bastidores, porém, continuou fazendo campanha com secretários próximos de Haddad, sem nunca deixar transparecer o apetite pela vaga diretamente ao prefeito.

Com a decisão, Tatto também permanece como líder de governo na Câmara em 2014.

 

 

João Antonio e Haddad em encontro no TCM no início deste ano: escolha contraria decisão tomada pelo PT na semana passada

 

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