Donato diz ter ficado “sabendo” que chefe da quadrilha do ISS procurou Alckmin
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Donato diz ter ficado “sabendo” que chefe da quadrilha do ISS procurou Alckmin

Diego Zanchetta

26 Novembro 2013 | 16h29

Em discurso iniciado há cerca de 20 minutos no plenário da Câmara Municipal, o vereador Antonio Donato (PT) atacou Geraldo Alckmin (PSDB) e disse que o ex-subsecretário da Receita da Fazenda Ronilson Bezerra Rodrigues, acusado de chefiar a quadrilha que desviou R$ 500 milhões de ISS da Prefeitura, também procurou o governador nas eleições municipais de 2008. Em nota, o Palácio dos Bandeirantes negou as acusações e informou que “a pessoa a que se refere a reportagem não participou nem prestou qualquer contribuição ou ajuda à campanha eleitoral de 2008.”

Após admitir que conheceu três dos fiscais presos “em momentos diferentes” entre 2007 e 2012, Donato disse ter ficado sabendo que “Ronilson chegou a se reunir, naquela mesma eleição (de 2008), com o então candidato a prefeito do PSDB, Geraldo Alckmin, para prestar informações semelhantes (dados fiscais do governo)”, afirmou Donato.

“No início de 2012, Ronilson e Barcellos me procuraram com a mesma conversa de 2008, ou seja, que podiam fornecer informações, estudos, projeções sobre a situação financeira da Prefeitura para a campanha de Fernando Haddad”, disse o vereador, que chamou de “calúnia” as denúncias de ter recebido mesada de R$ 20 mil mensais da quadrilha.

Donato também admitiu ter conhecido em 2008, “em um evento em Moema”, o auditor Luis Alexandre Cardoso de Magalhães, delator das fraudes do ISS. O vereador disse que o auditor pediu apoio para conseguir uma promoção na Secretaria Municipal de Finanças. “Expliquei que não tinha nenhuma influência no governo Kassab”, argumentou.

Ao final do discurso, Donato diz, emocionado e sob aplausos de 200 militantes petistas que encheram as galerias do Palácio Anchieta, “sou filho de Dona Alzira e do seu Francesco, e isto me dá determinação para defender minha honra pessoal. Na opinião de petistas, a fala foi uma ironia ao prefeito Fernando Haddad (PT), que, em meio ao escândalo que derrubou Donato do governo, disse “sou filho do seu Calil e dona Norma”, para defender a lisura dos atos da gestão.

O ex-homem forte da gestão Haddad também cobrou a culpa do mercado imobiliário nas fraudes. “Onde que estão os corruptores, cadê os rostos das grandes incorporadoras, cadê a lista de 60 empresas que está na Controladoria? Essas empresas são sócias majoritárias desse esquema criminoso. E esses tubarões estão agora saindo de fininho.”

Donato ainda criticou a cobertura da imprensa e disse que os nomes das construtoras não aparecem no escândalo porque são anunciantes da mídia. “Eles (construtoras) estão nos grandes anúncios imobiliários e nos anúncios de rádio e TV.”

Ele não citou, porém, que sua maior doadora de campanha nas eleições de 2012, com R$ 100 mil, foi a empreiteira OAS, uma das maiores do país e sócia de empreendimentos imobiliários.

SEM DEFESA

Nenhum dos oito vereadores do PSDB foram ao plenário rebater as acusações de Donato contra Alckmin. Procurado após o discurso do petista, Andrea Matarazzo (PSDB) disse que a única falha do discurso de Donato foi a citação ao governador.

“Ele achar que o governador se reuniu com alguém é uma coisa, acontecer é outra. Isso é achismo”, argumentou Matarazzo. “No resto do discurso não há o que falar. Não tenho ressalvas.”

A assessoria do governador informou, por meio de nota, que “a pessoa a que se refere a reportagem não participou nem prestou qualquer contribuição ou ajuda à campanha eleitoral de 2008 do então candidato à prefeito de São Paulo e atual governador do Estado, Geraldo Alckmin. O nome mencionado também não compõe a lista dos 451 participantes das discussões do Programa de Governo nem consta dos registros das pessoas recebidas pelo então candidato.”

 

Sob aplausos de militantes petistas, Donato (PT) atacou Alckmin e cobrou o aparecimento do “rosto dos corruptores” no escândalo do ISS

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