Economista do PSOL ganha diretoria na gestão Haddad
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Economista do PSOL ganha diretoria na gestão Haddad

Diego Zanchetta

10 Maio 2013 | 20h18

A economista filiada ao PSOL Mariana Neubern de Souza Almeida, de 31 anos, foi nomeada hoje pelo prefeito Fernando Haddad (PT) como diretora geral da Fundação Paulistana de Educação e Tecnologia (Fundatec), com salário mensal de R$ 18,3 mil. Segundo a direção municipal do partido, ela consta como filiada e não comunicou a decisão de integrar o governo petista, o que pode resultar na sua expulsão.

O PSOL é oposição ao governo do PT em São Paulo e qualquer integrante da legenda estava proibido de aceitar cargos no governo. A nova diretora da Fundatec foi candidata a vereadora pelo partido em 2008 e atuou como uma das principais lideranças que ajudaram a organizar o PSOL na capital paulista.

Mari Almeida, como é conhecida, apesar de militar em um partido de esquerda é filha de Natalisio Almeida Júnior, CEO do Itaú para a América Latina e ex-vice-presidente do Bank Boston. Formada em economia e relações internacionais, ela também defendeu em seu mestrado de Política Econômica, feito na PUC-SP, a dissertação “A natureza das crises no neoliberalismo sob hegemonia norte-americana.”

 


A economista Mari Almeida, do PSOL: nomeada para cargo de R$ 18 mil pelo prefeito Fernando Haddad (PT)

A economista vai trabalhar com Leda Paulani, secretária municipal de Planejamento e sua professora na USP. Mari Almeida, que também já ocupou cargo no governo de Hugo Chávez, como assessora do Ministério da Economia Agrícola da Venezuela, vai ajudar a ampliar a Escola Técnica de Saúde Pública Cidade Tiradentes e expandir o mesmo curso técnico para outras regiões da capital.

Quem deixou a direção da Fundatec para a entrada de Mari Almeida foi a procuradora municipal aposentada Maria Cristina Lopes Victorino, cujo salário mensal chegava a R$ 42 mil mensais (R$ 25 mil de aposentadoria e outros R$ 18 mil da fundação). Um parecer da Procuradoria Geral do Município (PGM) considerou no início do ano ilegal o acúmulo de salários da procuradora, nomeada para o cargo pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), em 2010.

Procurada para comentar a nomeação, a Prefeitura informou que “a secretaria (Leda Paulani) tem autonomia para preencher os cargos de acordo com a capacidade técnica do candidato.”

Antes de ser nomeada para a Fundatec, Mari Almeida já atuava desde o início do ano como uma das coordenadoras do Plano de Metas 2013-2016 na Secretaria Municipal de Planejamento, com salário mensal de R$ 4 mil.

O vereador Toninho Vespoli (PSOL) afirma que sabia da decisão de Mari Almeida.

“Sim, eu tinha conhecimento da contratação da Mariana pela Prefeitura de São Paulo, que ocorreu por uma decisão individual e pessoal dela, e a convite de Leda Paulani, com quem ela tem  proximidade. Para assumir o cargo, a Mariana pediu afastamento do partido. Esse fato em nada interfere no meu posicionamento adotado na Câmara, que permanecerá o mesmo. Continuarei sendo uma oposição programática de esquerda. Lembro ainda que no PSOL quem coordena as estâncias partidárias é o partido e não o vereador”, argumenta Vespoli.

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