Derrota de São Paulo na Expo 2020 deve acirrar tensão entre Haddad e PSD
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Derrota de São Paulo na Expo 2020 deve acirrar tensão entre Haddad e PSD

Diego Zanchetta

21 Novembro 2013 | 13h21

Dada como certa dentro do governo municipal, a derrota de São Paulo como cidade-sede da Expo 2020 será mais um capítulo no tensionamento entre a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) e o aliado PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab. A organização da feira e a construção de um novo centro de eventos em Pirituba, na zona oeste, estão entre as inúmeras bandeiras de Kassab não encampadas pelo PT.

A escolha da cidade-sede ocorre na próxima semana, a partir do dia 26, em Paris. As favoritas são Izmir (Turquia) e Dubai (Emirados Árabes). Com poucas chances estão ainda na disputa a capital paulista e Ekaterinburgo, na Rússia.

Durante a transição, Haddad e Kassab chegaram a viajar juntos para Paris, para defender a candidatura. O discurso de Kassab, porém, era de que São Paulo era a “favorita”, como repetiu diversas vezes em 2012. Desde o início de janeiro, porém, técnicos da gestão Haddad avaliaram como “frágil” a candidatura paulistana. Só para desapropriar a área de 2 milhões de metros quadrados, onde ficaria o futuro centro de convenções, o governo municipal teria de gastar cerca de R$ 500 milhões.

Para a cúpula que acompanha o ex-prefeito, faltou “diplomacia” da atual gestão na defesa da candidatura. Nem mesmo a declaração de apoio oficial do PSD à reeleição da presidente Dilma Rousseff deve arrefecer os ânimos locais entre petistas e kassabistas, acirrados com as denúncias da Máfia do ISS. A cúpula que comandou a Finanças da Prefeitura no governo de Kassab é suspeitar de participar de uma quadrilha que desviou cerca de R$ 500 milhões dos cofres públicos. A investigação foi feita pela Controladoria do Município, criada por Haddad.

Para piorar a situação, os sete vereadores da bancada do PSD que votaram contra o aumento do IPTU perderam cargos na Prefeitura e ameaçam até embarcar em uma “chapa B” para disputar a presidência da Câmara em janeiro, encabeçada pelo veterano e influente Milton Leite (DEM), que tenta refundar o bloco político conhecido como “centrão”. O atual presidente José Américo (PT) tem o apoio do governo para tentar a reeleição.

No Legislativo paulistano, a derrota na Expo 2020 deve mais uma vez transformar a gestão Haddad em “vidraça” de antigos governistas insatisfeitos com a recente perda de cargos nas subprefeituras. As demissões de aliados do PV e do PMDB envolvidos no escândalo do ISS também vão contribuir para elevar o clima de animosidade contra a gestão Haddad nas votações do final de ano.

A Exposição Mundial é o terceiro maior evento do mundo, atrás da Copa e da Olimpíada. Realizada normalmente a cada cinco anos, embora não tenha periodicidade rígida, o evento dura seis meses. Em 2010, em Shangai (China), foram 73 milhões de visitantes. A próxima edição será em Milão (Itália), em 2015.

 

A candidatura de Dubai, nos Emirados Árabes, é uma das favoritas para levar a Expo 2020

 

 

 

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