Sob pressão, base de Haddad recua e desiste de votar construção de corredores de ônibus
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Sob pressão, base de Haddad recua e desiste de votar construção de corredores de ônibus

Diego Zanchetta

26 Fevereiro 2014 | 17h00

Sob pressão de comerciantes e dos cinco vereadores mais votados de São Paulo, a base do prefeito Fernando Haddad (PT) recuou e desistiu de votar antes do Carnaval, em primeira discussão, o projeto de lei que autoriza alargamentos e desapropriações em 66 ruas e avenidas da cidade. A reforma é necessária para a construção de 150 quilômetros de corredores de ônibus até 2016 – principal bandeira do governo petista.

As bancadas governistas do PTB e do PMDB (que somam sete dos 55 vereadores) se rebelaram contra a votação. Ao todo a proposta autoriza a desapropriação de 7 mil imóveis. A pressão contra o projeto também uniu os cinco vereadores mais votados nas eleições de 2012 e comerciantes influentes da zona sul que lotam o plenário da Câmara Municipal. Eles são contrários às desapropriações previstas para alargamento de 39 avenidas e de 27 ruas.

Diante da pressão, o líder de governo Arselino Tatto (PT) anunciou, por volta das 17 horas, que o projeto não vai mais ser votado nesta semana. “Acabei de falar com o prefeito e podemos tentar marcar para semana que vem”, justificou Tatto. Amanhã (27) haverá um encontro entre o líder de governo e uma comissão de representantes de comerciantes da zona sul.

A principal resistência ocorre entre donos de comércio da Avenida Sabará, na zona sul, onde 484 imóveis devem ser removidos. Roberto Trípoli (PV), Andrea Matarazzo (PSDB), Goulart (PSD), Milton Leite (DEM) e Coronel Telhada (PSDB) são contrários ao texto do Executivo e apoiam os comerciantes – eles somaram 544.948 votos nas eleições de 2012.

Neste momento os comerciantes festejam o adiamento da votação nas galerias no Plenário 1º de Maio, onde começou, por volta das 16h25, a sessão extraordinária para a análise da proposta. Mesmo com o adiamento, os parlamentares seguem discutindo a proposta.

“Estou há 42 anos na Sabará, tem muita gente há mais de 60 anos. O governo não pode chegar lá e tirar todo mundo assim”, argumenta Joaquim Martinho Filho, dono da Floricultura Martinho na Avenida Sabará. Ele levou aos vereadores um abaixo-assinado com 6 mil adesões contra a construção de um corredor de ônibus na via. A resistência de comerciantes contra a proposta também é grande nas Avenidas MBoi Mirim e Belmira Marin, na região do Grajaú, na zona sul.

Influentes na região, os vereadores Goulart (PSD) e Milton Leite (DEM) são da base governista, mas prometem votar contra o projeto que viabiliza o principal projeto da gestão Haddad. “A Sabará tem um dos comércios mais importantes de toda a zona sul. Nós temos o compromisso com os nossos votos de ouvir essa população agora”, disse no plenário Goulart (PSD). O ex-presidente Police Neto (PSD) também pediu mudanças na proposta original. “A discussão sobre a reforma da Avenida Sabará precisa ser desmembrada do projeto e ser incluída da revisão do Plano Diretor”, defendeu o líder do PSD.

O presidente José Américo (PT) marcou audiência pública para a quinta-feira, dia 6. Neste momento Américo tenta abrir uma segunda sessão extraordinária para a tentar votar a construção dos corredores – a primeira caiu por falta de quórum.

Pela manhã, o prefeito Haddad afirmou que o projeto não vai resultar em desapropriações. “É um projeto preventivo para que as novas edificações respeitem um recuo maior (de 200 metros em relação aos corredores)”, afirma o prefeito. Entre as avenidas que serão alargadas estão a Radial Leste, a Interlagos e a Celso Garcia.

Um dos líderes da oposição, o vereador Gilberto Natalini (PV) pediu à presidência o cancelamento das suas sessões extraordinárias previstas para amanhã (27). “Não podemos permitir que o governo, na calada da noite, na véspera do Carnaval, faça uma operação para votar essas desapropriações aqui”, discursou Natalini.

 

 

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