Com nome em lista de propinas, ex-diretor do Ilume tem sigilo bancário quebrado
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Com nome em lista de propinas, ex-diretor do Ilume tem sigilo bancário quebrado

Diego Zanchetta

30 de abril de 2013 | 00h30

COM RODRIGO BURGARELLI E FAUSTO MACEDO

A Justiça decretou a quebra do sigilo bancário do ex-diretor do Departamento de Iluminação Pública (Ilume) na gestão de Gilberto Kassab (PSD), Paulo Candura, e de duas empresas das quais ele teria recebido pagamentos – Consladel Construtora e Trópico Equipamentos Elétricos. Segundo o Ministério Público Estadual, Candura apareceu em uma “lista das propinas” pagas pela Trópico para facilitar o direcionamento de licitações públicas e realizar consultorias personalizadas para as empresa.

A ação foi proposta pelo promotor Silvio Antonio Marques, que agora vai analisar os documentos recebidos com a quebra do sigilo para continuar as investigações. Candura, que é funcionário concursado do Ilume desde 1991 e ocupou a direção do órgão entre 2005 e 2006, na gestão de José Serra (PSDB), e entre 2009 e 2010, nega ter recebido qualquer valor das empresas. “As denúncias são improcedentes”, afirmou seu advogado, Paulo Porto Fernandes. A reportagem não conseguiu contato ontem com representantes das empresas.

A Trópico, empresas que teria pago propina ao ex-diretor do Ilume, fazia iluminação do Túnel Ayrton Senna

A Consladel já está sendo investigada por participar da suposta “máfia dos radares” – esquema em que ganharia licitações viciadas para operar os dispositivos em diversas cidades do País. Tanto ela quanto a Trópico têm como sócio o empresário Labib Faour Auad. Foi o seu irmão, Gilberto Faour Auad, quem denunciou o suposto esquema que envolve a Prefeitura de São Paulo, após ser desligado das empresas por determinação de Labib, em 2006.

Segundo Gilberto, as empresas mantinham um “caixa 2” contábil usado para pagar propinas a funcionários públicos, que incluíam nos editais de licitação cláusulas para facilitar a vitória da Consladel e da Trópico. Foi ele quem mencionou, em depoimento, os pagamentos a Candura, dizendo que ele “frequentava a empresa para fornecer orientações técnicas acerca dos produtos e recebia uma espécie de ‘premiação’” por isso.

Outra testemunha, Nelson Iokoi, ex-administrador financeiro da Trópico, também afirmou que recebia ordens para levar “aquele dinheiro do Paulo Candura”. Uma planilha de pagamentos da Trópico datada de 2001 – época em que Candura era funcionário do Ilume mas não ocupava cargo de chefia – e identificada pela Promotoria como uma das “listas da propina” traz o nome de Candura duas vezes, o que corresponderia a um valor de R$ 2,7 mil.

O advogado de Candura afirmou que não houve nenhum tipo de consultoria. “Essa lista é apenas um xerox, não é prova a ser considerada. E os depoimentos foram dados por uma pessoa que foi demitida, em uma briga de irmãos”, defendeu Fernandes. Segundo ele, não havia necessidade de entrar com a ação para a quebra do sigilo bancário pois, desde o começo, Candura já teria se disposto a informar tudo o que o MP julgasse ser necessário.