Caos no carnaval da Vila Madalena derruba subprefeito de Pinheiros
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Caos no carnaval da Vila Madalena derruba subprefeito de Pinheiros

Na avaliação do governo, o subprefeito Angelo Salvador Filardo Júnior, que havia se reunido com os blocos a partir de dezembro e foi alertado pelos moradores desde a Copa, em julho, sobre os possíveis incidentes no bairro, falhou na elaboração do esquema do evento.

Diego Zanchetta

24 Março 2015 | 17h28

COM ADRIANA FERRAZ E PAULO SALDAÑA

O prefeito Fernando Haddad (PT) substituiu o subprefeito de Pinheiros, autoridade responsável pela organização dos desfiles dos blocos nas ruas do bairro da zona oeste. A mudança ocorre em meio a cobranças do Ministério Público Estadual para que a Prefeitura de São Paulo adote providências que evitem o caos na Vila Madalena a partir de 2016.

Na avaliação do governo, o subprefeito Angelo Salvador Filardo Júnior, que havia se reunido com os blocos a partir de dezembro e foi alertado pelos moradores desde a Copa, em julho, sobre os possíveis incidentes gerados pela aglomeração de multidões de até 70 mil pessoas no bairro, falhou na elaboração do esquema do evento.

Filardo também havia provocado a ira dos moradores do bairro ao minimizar as brigas e tumultos ocorridos durante os quatro dias de folia. “O caos existe no Iraque, não na Vila Madalena, onde pela primeira vez no Carnaval os moradores conseguiram dormir antes do amanhecer”, declarou o subprefeito à época.

Arquiteto e funcionário de carreira do governo municipal desde 1985, Filardo Júnior será substituído pela geóloga Harmi Takiya, que era a vice-presidente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), responsável por analisar as exceções à Lei Cidade Limpa. Takiya também foi subprefeita da Mooca entre 2002 e 2004, durante a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).

Oficialmente, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o subprefeito de Pinheiros deixa o cargo para dar aulas na USP.

Em mensagem enviada à reportagem na madrugada de hoje, Filardo Júnior argumentou que desde outubro do ano passado já havia sido convocado pela USP para voltar a dar aulas.

CAOS

Haddad avaliou que a Subprefeitura de Pinheiros poderia ter organizado melhor o desfile e a dispersão dos 65 blocos que se concentraram Vila Madalena, já que foram os mesmos problemas ocorridos em julho, durante os jogos da Copa.

A subprefeitura não conseguiu evitar problemas de superlotação e dificuldade de dispersão que ocorreram na Copa do Mundo. As ruas do bairro foram tomadas por milhares de pessoas, nem sempre preocupadas com os blocos.

Cenas de bebedeira nas ruas, xixi nas portas de casa e prédio, uso de drogas e até sexo nas ruas aterrorizaram a vizinhança. Em alguns dias, moradores reclamaram que o barulho seguiu até o amanhecer, como aconteceu no sábado de carnaval.

A Prefeitura organizou os vendedores ambulantes e colocou uma boa oferta de banheiros, mas também não houve controle de acesso à ruas. A PM realizou, como na Copa, dispersão da multidão a partir da meia noite, mas em nenhum dia o horário foi respeitado completamente.

No sábado de carnaval, por exemplo, assim que a operação de dispersão da Polícia Militar tirou a multidão da Rua Aspicuelta, uma nova aglomeração se formou na Rua Wisard e na Inácio Pereira da Rocha. Na madrugada de segunda, a polícia usou bombas de efeito moral para acabar com o tumulto que se formou – garrafas haviam sido arremessadas contra os policiais.

Após o fim do carnaval, moradores do bairro se organizaram para cobrar do Ministério Público Estadual providências que evitem o caos na Vila Madalena no carnaval de 2016.

O promotor Maurício Ribeiro Lopes é contrário à proibição de blocos nos bairros, como defendem alguns moradores. Mas ele quer que a Prefeitura assuma compromissos (talvez em um termo de ajustamento de conduta) para melhorar a organização do evento no bairro no ano que vem.

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