Câmara faz ‘operação de guerra’ para impedir a invasão de plenário
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Câmara faz ‘operação de guerra’ para impedir a invasão de plenário

Diego Zanchetta

22 de agosto de 2013 | 19h05

Com Bruno Paes Manso

Na tentativa de impedir uma nova invasão ao prédio da Câmara Municipal, no centro de São Paulo, o presidente José Américo (PT) e outros vereadores da base governista montaram uma verdadeira ‘operação de guerra’ com 75 PMs e 70 guardas civis-metropolitanos.

O plenário foi trancado, uma claque de sindicalistas ligados ao presidente da audiência e da Comissão de Transportes Senival Moura (PT) lotou as arquibancadas antes dos estudantes e mais de 100 policiais cercam o Palácio Anchieta desde cedo. Na entrada qualquer pessoa passa por uma revista minuciosa feita por quatro soldados da PM. Mascarados não entram. Cerca de 500 pessoas acompanham o evento, mas só cerca de 150 são estudantes.

A audiência também ocorre no auditório externo do Legislativo, ao contrário do que havia sido combinado entre Américo e os estudantes que entraram no prédio na semana passado. O acertado era de que o encontro ocorreria no Salão Nobre, no oitavo andar do palácio. Mas todo aparato para a audiência, com telão e 300 cadeiras extras, foi montado do lado de fora. Pelos corredores dos 13 andares da Câmara, há policiais militares por toda a parte e os gabinetes estão trancados com chave.

A maior parte dos 2 mil funcionários do Legislativo foi embora antes das 16 horas. Pela manhã, eles receberam um comunicado interno com orientação para todos ficarem longe das janelas de vidro em caso de manifestação – na semana passada manifestantes chegaram a lançar pedras no prédio.

“Evitar sair correndo das salas e setores, aguardar orientação via sistema de som interno; evitar correr para os elevadores; em caso de emergência, os funcionários serão avisados, via sistema de som, sobre os elevadores que serão ativados com ascensoristas”, dizia o comunicado.

Com todo esse aparato, cerca de 150 estudantes da Assembleia Nacional dos Estudantes (Anel) acompanham a audiência e pedem que algum dos 55 vereadores apresente uma proposta que crie o passe livre estudantil na capital paulista. No palco da audiência, porém, o que se vê é uma briga entre petistas e tucanos que trocam acusações sobre as ausências dos secretários de Transportes Metropolitanos do Estado (Jurandir Fernandes) e Municipal (Jilmar Tatto) no encontro. “Eu passo a palavra porque eu não vim aqui para ver briga entre PSDB e PT”, afirmou Conte Lopes (PTB) ao ter oportunidade de falar.

Quem fala neste momento na audiência é Isao Hosogi, o Jorginho, presidente do Sindicato dos Motoristas de Ônibus, cuja disputa eleitoral está sob judice após tiroteio na sede da entidade no mês passado. Jorginho foi ovacionado pela claque de seus apoiadores sindicalistas. Até agora nenhum estudante falou. “Vamos abrir a caixa-preta do transporte público”, esbravejou Jorginho, que já foi preso duas vezes, acusado de desvios de verbas no sindicato.

Logo depois de Jorginho, o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino Melo, também discursou para sua claque de sindicalistas. “Não podemos deixar essas multinacionais roubarem o povo brasileiro”, disparou o sindicalista, que também já foi preso em junho, após quebra-quebra durante as primeiras manifestações na cidade.

Até agora, nenhum parlamentar cogitou apresentar projeto de lei, como pedem os estudantes, para a criação do passe livre estudantil. Quem falou também foi o vereador Goulart (PSD), ligado à torcida Gaviões da Fiel. “Participo de uma torcida que está presente em todo tipo de manifestação. Sou gavião com muito orgulho. Saudações corintianas para todos”, discursou o vereador.

Plenário principal da Câmara fechado com chave desde cedo; na entrada, PMs fazem revista de estudantes e impedem a entrada de mascarados

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