Câmara autoriza 22 mil moradias de classe média alta no eixo Lapa-Barra Funda
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Câmara autoriza 22 mil moradias de classe média alta no eixo Lapa-Barra Funda

Diego Zanchetta

08 de outubro de 2013 | 21h11

Por 49 votos favoráveis e 2 contrários, a Câmara Municipal autorizou hoje, por volta das 21h11, a gestão Fernando Haddad (PT) a liberar novos empreendimentos em 1,8 milhão de metros quadrados nas regiões da Lapa, de Perdizes e da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Aprovada em segunda e definitiva discussão, a revisão da Operação Urbana Água Branca permite que o mercado imobiliário construa até 22 mil novos imóveis, com metragem média de 120 metros quadrados e até 3 vagas de garagem e dois subsolos, na área entre o Rio Tietê e a Avenida Marquês de São Vicente, às margens da linha férrea da CPTM e do Metrô. A arrecadação prevista aos cofres públicos em 2014 é de cerca de R$ 3 bilhões com a venda dos títulos imobiliários. Ao todo até 122 novos prédios de 27 andares poderão ser liberados na região.

A revisão da proposta, aprovada com mudanças feitas pelo governo há menos de uma semana, reduzem o adensamento populacional e liberam para o mercado a criação de um bairro de classe média alta no eixo que vai da Lapa à Barra Funda. Enviada à Câmara Municipal há menos de uma semana, a proposta prevê prédios mais altos, de até 80 metros ou 27 andares, além de garagens de 30 m². Antes a altura não poderia ser superior a 42 metros e as garagens teriam no máximo 25 m². No texto anterior também era prevista apenas 1 vaga de garagem por prédio e 1 subsolo.

Mas as mudanças acabaram acatadas pela base governista, que foi pressionada pelo Executivo. No início da tarde, quando ainda não havia acordo para a votação da proposta, o secretário de Relações Governamentais, João Antonio, foi à sede do Legislativo. Três horas de conversa entre o líder do Executivo e a base resolveram a questão.

Por volta das 19h30, o projeto foi colocado à votação e não sofreu obstrução nem da bancada do PSDB – uma emenda do vereador tucano Andrea Matarazzo garantiu que 22% dos imóveis (5 mil unidades) sejam populares, de até 50 metros quadrados, construídos com incentivos fiscais para a população de baixa renda.

Os votos contrários foram dos vereadores Gilberto Natalini (PV) e Toninho Vespoli (PSOL).

Ricardo Young (PPS) votou favorável ao projeto, mas fez duras críticas ao governo. “Todo o trabalho feito pela Comissão de Política Urbana foi modificado e desconsiderado pelo governo. O substitutivo veio no afogadilho e trouxe uma série de modificações que a população da região não concorda”, argumentou Young. “Me parece que houve uma concessão aos interesses econômicos em detrimento aos interesses sociais. O processo não foi tão democrático quanto deveria ser.”

De fácil acesso às Marginais Pinheiros e Tietê e com estações de Metrô e da CPTM, a Barra Funda se destaca hoje na zona oeste de São Paulo com preço inferior ao de outros bairros da região, como Perdizes e Pacaembu. Mas, com a autorização de novos empreendimentos com metragem média de 180 m², a região deve ter a mesma ocupação de classe média alta que ocorreu nos vizinhos Perdizes, Pompeia e Água Branca.

Hoje o valor médio do metro quadrado dos imóveis da Barra Funda é de R$ 7.990. Em Perdizes, Pinheiros e Vila Madalena, porém, é de cerca de R$ 12 mil. Especialistas do mercado imobiliário acreditam que a ocupação planejada pelo governo para a Barra Funda agora também vai “elitizar” a região.

 

Da oposição, o vereador Gilberto Natalini (PV) discursa contra mudanças no projeto: “o Executivo acabou com tudo o que foi construído no parlamento em quase 1 ano.”

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