Em 2012, Donato abriu ‘portas’ para Haddad em SP
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Em 2012, Donato abriu ‘portas’ para Haddad em SP

Diego Zanchetta

12 Novembro 2013 | 23h05

Defensor da candidatura de Fernando Haddad (PT) quando o ex-ministro ainda era um anônimo em São Paulo, o sociólogo Antonio Donato, de 56 anos, apresentou a periferia ao atual prefeito e abriu para ele as salas das principais lideranças políticas e empresariais da cidade durante a campanha de 2012. Nos últimos 11 meses, como secretário de Governo, participou de decisões importantes da gestão, como a criação das faixas exclusivas de ônibus, além de ter coordenado a nomeação de mais de 500 cargos comissionados. Era o secretário que almoçava com o prefeito quase todos os dias.

A estatura de Donato na política paulistana cresceu de forma meteórica em apenas cinco anos. Antes um quadro técnico discreto do partido, Donato se elegeu vereador em 2008, apadrinhado pelo deputado federal Carlos Zaratini (PT). Quatro anos depois era presidente municipal do PT e coordenador da campanha de Haddad.

Saiu das urnas em 2012 como vereador mais votado do partido, em uma bancada com 12 parlamentares, e avançou por redutos eleitorais da zona sul dominados havia duas décadas pelos veteranos Arselino Tatto (PT) e Antonio Carlos Rodrigues (PR).

Bom articulador e uma pessoa de hábitos simples, o petista tem trânsito tanto com lideranças comunitárias de bairro como entre empresários do lixo e donos de viações de ônibus. Mora até hoje na região da Vila Prel, bairro da zona sul onde nasceu e cresceu.

Para viabilizar a candidatura de Haddad em 2012, Donato enfrentou até a tropa de choque da ex-prefeita Marta Suplicy, de quem era aliado e foi secretário de Coordenação das Subprefeituras, e a desconfiança de correntes petistas que relutavam em abraçar o nome de um desconhecido na capital e sem experiência em eleições.

Como presidente do PT, o vereador ainda teve habilidade suficiente para conter as pré-candidaturas do senador Eduardo Suplicy e o do deputado federal Jilmar Tatto. Ao conseguir fazer Haddad candidato sem prévias, Donato caiu nas graças do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Ao fim das eleições, Donato assumiu a coordenação da transição do governo e conseguiu arregimentar o apoio de partidos que haviam ficado ao lado da candidatura do tucano José Serra – casos do PTB, PV, PSD e PR. Logo após ser escolhido por Haddad como o número 2 da gestão, em janeiro, o petista fez uma devassa nos contratos do governo anterior e exigiu que todas as secretarias reduzissem os gastos em pelo menos 20%.

As credenciais de Donato, entretanto, não foram suficientes para blindá-lo contra um escândalo de proporções ainda imensuráveis. O homem-forte do governo volta à Câmara Municipal com a certeza de que receberá a solidariedade e o apoio até das lideranças da oposição. E com a esperança de ver seu nome sair do noticiário de denúncias, o que parece pouco provável no momento.

Por enquanto, Donato segue enredo semelhante ao vivido por petistas que se tornaram poderosos em cargos chefes do Executivo, mas caíram diante de denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito.

Homem-forte do governo, Donato volta à Câmara; se seu nome desaparecer de denúncias, governo pode defendê-lo como presidente do Legislativo no biênio 2015-2016

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